O condutor do carro que matou uma mulher em Charlottesville, Estados Unidos, durante uma manifestação da extrema-direita, já era conhecido das autoridades pelo seu histórico de violência para com a mãe, que está numa cadeira de rodas.

Numa altura em que James Fields, 20 anos, foi acusado de homicídio em segundo grau, surgem também relatos sobre a sua admiração por Adolf Hitler e uma viagem de estudo inesquecível à Alemanha.

“Estou onde a magia aconteceu”, terá dito a um colega de escola, em junho de 2015, durante a visita ao campo de concentração de Dachau, nos arredores de Munique.

“Parecia uma criança num parque de diversões”, disse um colega, que não quis ser identificado, citado pela agência Reuters, acrescentando: “Lia excertos do Mein Kampf e ouvia propaganda nazi à noite.”

Na mesma viagem foi visto a cuspir num memorial de guerra russo.

Com idêntico desprezo tratava a mãe, Samantha Bloom, deficiente motora.

A mulher sabia que o filho, que entretanto saiu de casa, ia participar numa manifestação, mas pensava que “estava relacionada com Trump”.

Registos policiais citados pela imprensa norte-americana mostram que a mãe chamou as autoridades pelo menos nove vezes, a partir de 2010, devido à violência do filho, então com 13 anos. Numa das ocasiões, ameaçou-a com uma faca e numa outra bateu-lhe na cabeça e trancou-a na casa de banho.

Bloom disse aos agentes que o filho tomava medicação para controlar o humor, de acordo com transcrições das chamadas para a linha de emergências.

Depois de terminar o secundário, James Fields alistou-se no exército, mas acabou por ser dispensado por não corresponder às exigências das provas físicas.