As mulheres são as vítimas silenciosas da pobreza e da insegurança no Iraque, apesar da queda da violência neste país, afirmou a ONG britânica Oxfam num relatório publicado este domingo.

«As mulheres são as vítimas esquecidas do Iraque», declarou Jeremy Hobbs, director internacional executivo da ONG, citado no texto, sublinhando «a ausência impressionante na cena pública de uma voz» que fale em seu nome.

«Apesar dos mil milhões de dólares injectados para a reconstrução do Iraque e da recente a melhoria da segurança, um quarto das mulheres interrogadas não tem um acesso diário à água, um terço não pode enviar as suas crianças à escola desde que a guerra começou e mais da metade foi vítima de violência», prosseguiu a Oxfam.

A ONG sublinhou que as mulheres são particularmente afectadas pela falta de serviços sociais, porque um grande número delas se tornou chefe de família após a morte ou rapto do seu marido ou do seu filho.

Segundo a Oxfam, mais de 75 por cento das viúvas, muitas das quais perderam o seu cônjuge nos confrontos, não recebem a pensão a que têm direito. Entretanto, a Oxfam exortou o governo iraquiano a investir em massa para relançar os serviços sociais.

«Uma geração inteira de iraquianos está perigo. As mães são forçadas fazer escolhas difíceis: seja a pagar para que as suas crianças vão à escola e recebam cuidados médicos, seja a pagar a água e a electricidade», prosseguiu a ONG. «Tratam-se de escolhas que nenhuma mãe deveria ser obrigada fazer, e não vão afectar apenas o futuro das famílias. Ameaçam o futuro do próprio Iraque», defendeu Jeremy Hobbs.

A associação iraquiana de defesa dos direitos das mulheres Al-Amal, que efectuou a sondagem para Oxfam, revelou que a segurança continua a ser a primeira preocupação de cerca de 60 por cento dos Iraquianos. Em 2008, 1.700 mulheres foram interrogadas para este relatório.

A Oxfam retirou o seu pessoal do Iraque em 2004 devido à violência, mas actualmente apoia agências que continuam a trabalhar no país.