O centro de São Paulo parou esta terça-feira. Pretendia-se retirar as famílias sem-abrigo que ocupavam o prédio do Hotel Aquarius, na Avenida São João, mas essa operação revelou-se difícil e resultou no incêndio de um autocarro, na detenção de várias pessoas, sendo que outras ficaram feridas.

Os sem-abrigo e a polícia militar entraram em confronto e os tumultos acabaram por se espalhar pelas ruas do centro de São Paulo, originando vários atos de vandalismo: o autocarro foi incendiado perto do teatro municipal, as estações de metro e as lojas ali perto tiveram de fechar portas e houve várias tentativas de roubo, segundo o portal de notícias da Globo.

Para se ter uma ideia da dimensão dos confrontos, 30 carreiras de autocarros tiveram de deixar de circular na região e pelo menos seis pessoas ficaram feridas, pelas informações disponibilizadas pela polícia. Mais: 70 pessoas foram detidas e oito acabaram mesmo por ficar em prisão preventiva (cinco por suspeita de arrombamento de loja, duas por lesão corporal e uma mulher por atear fogo ao autocarro).

Esta foi a terceira tentativa de reaver a posse do hotel ¿ as outras duas foram em julho e agosto -, com aval judicial. O objetivo era retirar todos os sem-abrigo que lá viviam, o que acabou por acontecer hoje. Mas não foi fácil. Assim que a polícia chegou, foi recebida com móveis e outros objetos atirados pelas janelas do prédio.

A polícia de choque reagiu com a utilização de bombas de gás lacrimogénio, de forma a dispersar os sem-abrigo que estavam a tentar bloquear a avenida.

Para conseguirem entrar no hotel, os polícias tiveram de usar, inclusive, um carro blindado, uma vez que a porta estava bloqueada com móveis.

Dada a reação da polícia, os tumultos intensificaram-se nas ruas. Foi aí que começaram as tentativas de assalto, os alarmes a disparar e o tal incêndio do autocarro, que acabou por ser controlado pelo corpo de bombeiros, sem deixar ninguém ferido.

Do lado da polícia, quatro militares ficaram feridos, um deles com queimaduras de segundo grau.

Para o movimento Frente de Luta por Moradia (FLM), a decisão do tribunal de devolver o prédio «à especulação imobiliária» revela grande insensibilidade social: «Aproximadamente 800 pessoas, crianças e idosos serão jogados na rua, sem uma solução definitiva», lê-se num comunicado. Cerca de 200 famílias ocupavam o imóvel há seis meses.