Os atos contra muçulmanos em França triplicaram em 2015, ano dos atentados jihadistas de janeiro e de novembro, indicou esta segunda-feira comissão nacional francesa de direitos humanos.

As denúncias apresentadas por atos racistas, antissemitas e antimuçulmanos aumentaram 22,4%, passando de 1.662 em 2014 para 2.034 em 2015, o que a comissão qualifica de “importante aumento”.

Na análise detalhada, a comissão registou mais do triplo de incidentes antimuçulmanos, que passaram de 133 em 2014 para 429 em 2015, um aumento de 223%, com “dois picos” registados nos dias seguintes aos atentados de 7 de janeiro e aos de 13 de novembro na capital francesa.

França acolhe uma comunidade muçulmana estimada em quatro a cinco milhões de pessoas.

Os atos antissemitas registaram uma quebra de 5,1%, tendo passado de 851 em 2014 para 808 em 2015, e os restantes atos racistas aumentaram 17,5%, passando de 678 em 2014 para 797 em 2015.

“Esta é apenas a criminalidade visível, estamos muito longe do que é a criminalidade real. O racismo do dia a dia é infinitamente mais subtil”, explicou Christine Lazerges, presidente da comissão, que desde os anos 1990 elabora um relatório anual sobre a luta contra o racismo, o antissemitismo e a xenofobia com base em dados do Ministério do Interior.

“Vários indicadores vão no sentido de um recuo do antissemitismo em França, especialmente em 2015, sugerindo que a violência dos atos contra os judeus [entre as quais o ataque de janeiro a um supermercado ‘kosher’] suscita na opinião pública um reflexo de compaixão e de solidariedade para com eles”, lê-se no relatório da Comissão Nacional Consultiva de Direitos Humanos (CNCDH).

Apesar disso, acrescenta-se, “a persistência de velhos preconceitos antissemitas e a violência de que [os judeus] são vítimas convidam à prudência” na interpretação dos números.

Os judeus, que representam menos de 1% da população francesa, foram alvo de 40% dos atos racistas cometidos no país em 2015, contra 51% em 2014.