Os cinco homens acusados de terem violado em grupo uma rapariga de 19 anos nas festas de San Fermin, em Pamplona, podem ser condenados até 22 anos de prisão. Na sessão do julgamento que ocorreu esta terça-feira, em Navarra, foram exibidos os vídeos registados pelos homens durante as alegadas agressões. No final, e em declarações aos jornalistas, o advogado da vítima disse apenas que se tratam de imagens “repugnantes”.  

Só posso dizer que os vídeos são repugnantes”, frisou Carlos Bacaicoa, advogado da rapariga.

Os polícias forenses, que interpretaram as imagens, prestaram declarações durante cerca de três horas, expondo as suas conclusões. Isto mereceu duras críticas dos advogados de defesa. 

Agustín Martínez Becerra, que representa três dos acusados, considera que a melhor interpretação das imagens faz-se através da sua visualização e que não é preciso que alguém as interprete.

A melhor interpretação é a própria visualização dos vídeos por parte dos magistrados. Não é preciso que ninguém traduza as imagens ao tribunal. (...) Parece aburdo que alguém vá contar o vídeo a alguém que vai ver o vídeo. Se se trata de interpretar as imagens, o que pode ser melhor do que as ver?", sublinhou Agustín Martínez Becerra, em declarações aos jornalistas, segundo o El País.

O advogado adiantou ainda que as conclusões finais do julgamento devem ser conhecidas para a semana, na segunda e na terça-feira.

O caso, que ficou conhecido como o caso La Manada, remonta a julho de 2016, e teve lugar nas festas de San Fermin, que, todos os anos, decorrem em Pamplona.

Cinco amigos de Sevilha, membros de um grupo autodenominado La Manada, cruzaram-se com uma jovem de 19 anos, na madrugada de 7 de julho. Os homens terão violado a rapariga e gravaram os atos sexuais com os telemóveis.

Entre os cinco acusados está um guarda civil e um militar. O Ministério Público pede para cada um deles 22 anos de prisão.

Na quinta-feira, a jovem, natural de uma localidade perto de Madrid, foi a tribunal prestar declarações. A rapariga, que chegou acompanhada pelos pais, disse que em nenhum momento se tratou de uma relação consentida.

Questionada pelo advogado de um dos acusados por que motivo só tinha lesões leves, a rapariga afirmou que não mostrou mais resistência porque entrou em "estado de choque" e só queria que aquilo acabasse o quanto antes.

Durante o seu testemunho, que durou cerca de quatro horas, a jovem mostrou-se tranquila e respondeu a todas as questões.

Por ser um caso muito mediático em Espanha, o julgamento ocorre na Audiencia de Navarra à porta fechada. 

No sábado, milhares de pessoas encheram as ruas de várias cidades espanholas como Madrid, Sevilha, Barcelona e Valladolid, em apoio à jovem que terá sofrido as agressões.