A delegação mexicana da organização não-governamental Save the Children revela que mais de 220 mil crianças vivem nas ruas e em albergues, na sequência do terramoto registado no centro e sul do país, há um mês, que matou 355 pessoas.

A organização admite mesmo que o número de crianças abandonadas à sua sorte no país possa ser mesmo maior, já que não existe um levantamento oficial sobre estas vítimas do último grande terramoto.

Dados compilados e divulgados pela Save the Children referem que mais de 86 mil habitações sofreram danos totais ou parciais. Em consequência, milhares de famílias ficaram se tecto. Tiveram de passar a viver em albergues geridos pelo Estado, acampamentos ou em casas de familiares.

Nas situações de emergência, as crianças são as mais vulneráveis a ser vítimas de abusos, exploração ou violência. É imprescindível pôr em andamento os mecanismos que permitam aos menores estarem protegidos e não sofrer mais os danos que os terramotos provocaram nas suas vidas", María Josefina Menéndez Carbajal, diretora-executiva da Save the Children, no México.

No terreno, a organização constatou que em muitos albergues faltam registos de quem lá está, havendo centenas de crianças que entram e saem sem controlo, sem a companhia de familiares adultos.

Por outro lado, segundo a organização, muitas das famílias afetadas pelo terramoto de 17 de setembro vagueiam pelas cidades para ver e vigiar as suas casas e os seus pertences. Com as suas crianças, acabam muitas vezes por dormir nas ruas, sem que os meninos estejam protegidos, até porque muitas das escolas continuam encerradas.