A jovem brasileira violada por mais de 30 homens diz que se sente “um lixo”, depois do crime de que foi alvo e da exposição mediática que o caso tomou. Numa entrevista à Globo, a jovem diz que tem recebido muito apoio, mas também condenação nas redes sociais.

Sinto-me um lixo. Parece que quando as pessoas me olham veem um lixo na frente, mesmo com todo o apoio que estou recebendo. O estigma é o que está me doendo mais. É como se dissessem 'a culpa é dela. Foi ela que estava usando roupa curta. Foi ela que quis ir para lá’. Eu vi isso no Facebook. Eu queria que as pessoas soubessem que não é culpa da mulher. Não tem como alguém culpar uma vítima de roubo, por exemplo — afirmou a jovem, séria. — Nesse momento em que eu estou falando, deve ter uma mulher sendo estuprada ou morta em algum lugar”, diz.

A jovem de 16 anos, que já tem um filho de três, conta que só anteontem tomou cinco banhos. Diz que no chuveiro se lembra do que lhe aconteceu. Recorda frases ditas pelos homens que a violavam até sangrar: “eu sei que você gosta”, “você é safada” ou “você é piranha”. Estava dopada, mas, mesmo assim, dois homens seguravam-na enquanto outros a violavam até com armas.

Sentia-me totalmente indefesa. Eu pensava em sair dali. Achava que ia morrer. Achei que eles me iam enforcar. Até arma eles usaram. Quero a justiça de Deus para essas pessoas”, diz à Globo.

O crime de que foi alvo dói-lhe, como lhe dói o medo de ser responsabilizada e a exposição mediática. “Pensei que eu seria realmente julgada. Pensei que eu seria apedrejada”, confessa.

No dia que se seguiu à violação, foi para casa, vestida com roupas de homem que um amigo que a ajudou a sair da favela lhe emprestara. Tomou banho, limpou o sangue que ainda escorria e foi dormir. Tinha decidido não contar a ninguém e se o vídeo não tivesse sido divulgado nas redes sociais, ninguém ainda teria sabido.

Quando apareceu na internet, eu estava em casa. Aí, a advogada me chamou para ir na delegacia e no IML. Ela disse que estava de carro aqui em baixo. Tomei banho, botei a roupa e desci. Se não fosse por ela até hoje acho que não faria nada”, diz.

Os pais pensam sair do Rio de Janeiro. A jovem está sem ir à escola e passa os dias trancada em casa.