Uma violação em grupo que afinal não terá sido bem assim. Esta é a conclusão oficial de uma auditoria a um artigo da revista Rolling Stone que apresentava como facto a história de uma jovem que teria sido violada numa universidade norte-americana. Afinal, o incidente foi mal verificado e a auditoria concluiu que se tratou de um «falhanço jornalístico» . A conceituada revista já veio pedir desculpas.

O artigo foi oficialmente retirado e na página online da publicação o editor, Will Dana, pede desculpa aos leitores e «a todos aqueles que possam ter sido atingidos» pela história e pelas consequências que se seguiram. O artigo originalmente publicado em novembro de 2014 descrevia uma violação em grupo numa fraternidade da Universidade da Virgínia, nos EUA.   A vítima, uma jovem apenas identificada como «Jackie», teria sido violada numa festa por sete homens, em 2012.



No entanto, a investigação criminal, instaurada depois da publicação do artigo, e que durou quatro meses, não revelou qualquer indício de que a violação tenha ocorrido. Ainda assim, o chefe da polícia local, Timothy Longo, deixou a ressalva de que isso não quer dizer que «não tenha acontecido algo terrível» à estudante.

Verdade ou não é algo que nenhuma investigação conseguiu ainda apurar. A jovem recusou colaborar quer com a polícia, quer com a «Columbia School of Journalism» que elaborou o relatório. Certo, só mesmo as conclusões do documento que revelam que a revista falhou nas mais elementares regras do jornalismo e que por isso a veracidade da história fica comprometida.

«O falhanço jornalístico», como lhe chama o relatório, foi escrito num artigo com nove mil palavras, assinado pela jornalista Sabrina Erdely, que entretanto também pediu desculpa aos leitores e visados. As falhas no artigo começaram a ser descobertas pouco depois da publicação quando outros jornais procuraram saber mais pormenores da história.

Dadas as acusações, a revista Rolling Stone decidiu pedir uma auditoria independente ao artigo, comprometendo-se a publicar o relatório final na íntegra. A conclusão chegou esta segunda-feira e não podia ser mais devastadora para a redação da Rolling Stone.

O documento conclui que a revista não usou «rotinas jornalísticas básicas» depois de a autora não ter conseguido sequer contactar os alegados violadores. O «fracasso abrangeu relatos, edição, supervisão editorial e verificação dos fatos», diz o documento que adianta ainda que existiram «falhas sistemáticas» na revista.

A revista já se comprometeu a adaptar várias recomendações presentes no documento.