Uma menina de 8 anos morreu em janeiro, na Índia, mas os dados do caso apenas foram dados a conhecer este mês, o que levou ao início de uma onda de protestos.

O relatório da polícia concluiu que Asifa foi raptada a 12 de janeiro, foi levada por um grupo de homens para um templo hindu, onde foi drogada e mantida em cativeiro por cinco dias, período no qual foi violada várias vezes por diferentes homens e acabaria por morrer estrangulada.

Após morrer, o corpo da menina foi deixado numa floresta, no local de Himalaia, cidade de Kathua (Estado de Caxemira), local onde a polícia o encontrou.

Estes dados inflamaram os ânimos e iniciaram nova tensão religiosa entre hindus e muçulmanos, comunidade à qual Asifa pertencia. 

Oito homens foram já presos, suspeitos da prática deste crime, sendo três deles polícias e um ex-membro do governo. Todos os acusados são hindus e a tensão agravou-se porque estes pediram para o caso não ser investigado e julgado pela polícia e Tribunal local, mas sim pela Polícia Federal, já que Caxemira é uma região maioritariamente muçulmana e temem imparcialidade.

Um grupo Nacionalista Hindu está a pressionar para que o caso passe para as mãos dos inspetores federais e acusa a polícia de dados errados no relatório: "Não há polícias hindus capazes? A menina é muçulmana e os investigadores são muçulmanos", disse Rakesh Singh, um dos líderes.

Singh quer uma nova investigação e salienta que todos os acusados são inocentes.

A região tem vivido períodos de tensão entre os dois povos, já que nesta cidade onde ocorreu o crime a maioria das pessoas são hindus, mas o Estado é tendencialmente muçulmano. Os muçulmanos andaram durante anos de terra em terra e agora estão estabelecidos naquele estado, e, por isso, os hindus acusam-nos de estar a ocupar terras suas. Singh diz mesmo que "o número de muçulmanos tem crescido nos últimos anos, devido à chegada de vários milhares de refugiados rohingya de Myanmar".

Do outro lado, os muçulmanos vão organizando manifestações e condenando os violadores em público, incrédulos com o facto de haver pessoas a defender aqueles oito homens.