A polícia venezuelana dispersou na noite de quarta-feira centenas de pessoas que participavam em mais uma manifestação na zona leste da capital contra o Governo de Nicolás Maduro, testemunharam jornalistas da agência AFP.

A polícia, com equipamento antimotim, usou gás lacrimogéneo e fez disparos para o ar para afastar os manifestantes que pretendiam bloquear uma avenida no distrito de Chacao.

De acordo com o relato da AFP não se registaram feridos, nem foram efetuadas detenções.

Nicolás Maduro apelou à união dos trabalhadores

O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, apelou entretanto à união da classe operária, à sua manutenção nas ruas e à defesa do país que diz estar a ser agredido por «grupos fascistas».

Ao intervir numa reunião do Governo transmitida obrigatoriamente por todos os canais de rádio e televisão, Nicolás Maduro disse querer os seus apoiantes ao lado das forças de segurança e pediu atenção quer nas ruas quer nos postos de trabalho.

O Presidente venezuelano acusou também um dos elementos da oposição, Leopoldo López, atualmente detido, de ter tentado criar um «golpe de Estado continuado para gerar uma espiral de ódio e justificar uma intervenção estrangeira militar».

Na sua intervenção, garantiu que este ia ficar «preso» e enfrentar as acusações em tribunal.

Leopoldo López «entregou-se» às autoridades na terça-feira e deveria ter sido ouvido por um juiz quarta-feira. As autoridades acusam-no de «promover uma tentativa de golpe de estado» e de ser responsável pelos protestos violentos dos últimos dias.

Entretanto, um tribunal venezuelano ratificou a prisão preventiva do líder da oposição Leopoldo López, determinando que ficará detido em Los Teques, a sul de Caracas.

A decisão do tribunal foi tomada numa audiência que decorreu no centro de detenção por razões de segurança.

Obama condena violência e pede libertação de manifestantes

O Presidente norte-americano, Barack Obama, também condenou esta noite a violência na Venezuela e apelou ao Governo daquele país para libertar os manifestantes presos.

Obama disse que condenava a «violência inaceitável» na Vezenuela e que juntamente com a Organização dos Estados Americanos (OEA), os Estados Unidos «apelam ao Governo venezuelano para libertar os manifestantes presos e a envolver-se num verdadeiro diálogo».

Numa mensagem à imprensa no final da cimeira da América do Norte na cidade mexicana de Toluca, Obama pediu ao Governo de Nicolás Maduro que «atenda as reclamações legítimas» do seu povo em vez de desviar a atenção expulsando diplomatas norte-americanos com «falsas acusações».