Atualizado às 13:57

O Presidente ucraniano, Viktor Yanukovich e a oposição já terão assinado o «acordo» que visa pôr fim à violência que atingiu o país nos últimos tempos, escreve a Reuters. De acordo com o Ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, o acordo é «um bom compromisso para a Ucrânia, dá uma hipótese à paz, abre portas para uma reforma e para a Europa».

Um porta-voz de Vitaly Klitschko, um dos líderes da opsoição, confirmou à Reuters que os três principais líderes estavam nas instalações da presidência para assinar o acordo.

SIGA AO MINUTO OS ÚLTIMOS DESENVOLVIMENTOS

O conselho de manifestantes, que representa todos os partidos e movimentos presentes na Praça da Independência, em Kiev, aceitou o entendimento com duas condições. Que o atual ministro do Interior e o Procurador-geral não sejam incluídos no novo executivo de salvação nacional.

O Presidente ucraniano tinha anunciado esta manhã, numa breve intervenção, que tinha chegado a acordo com a oposição. Informou que vão realizar-se eleições presidenciais antecipadas, será formado um Governo de unidade nacional e a Constituição será revista para reduzir os poderes presidenciais.

Esta sexta-feira, antes de ser conhecido o «novo acordo», a polícia garantiu através de um comunicado que vários manifestantes abriram fogo sobre as autoridades, perto da Praça da Independência, que responderam ao ataque avança a Reuters.

O líder da oposição, Arseny Yatsenyuk, também falou hoje aos jornalistas no Parlamento, a quilómetro e meio da Praça da Independência, e avançou que polícia armada entrou no edifício, mas foi obrigada a sair pelo porta-voz do Parlamento.

A tensão não é grande apenas nas ruas e durante esta manhã vários deputados ucranianos agrediram-se em pleno Parlamento de Kiev, quando discutiam as eleições presidenciais, a reforma constitucional e a libertação da antiga primeira-ministra Timoshenko. Durante a noite foi aprovada uma resolução que exige a retirada imediata das forças de segurança das ruas e o fim da repressão.

Muitos deputados trocaram empurrões e socos, e o caos instalou-se no hemiciclo durante vários minutos. O presidente do Parlamento, um aliado de Yanukovich, abandonou então a câmara, mas o debate continuou com intervenções inflamadas.

Após várias semanas de calma, Kiev voltou, desde terça-feira, a ser palco de violentos confrontos entre ativistas antigovernamentais e forças de segurança, que já provocaram mais de 100 mortos e 500 feridos só em dois dias, segundo disse à CNN o responsável pelos serviços médicos dos manifestantes.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia aprovaram, na quinta-feira, um conjunto de sanções à Ucrânia, como a «proibição de vistos, o congelamento de bens e restrições à exportação de equipamento anti-motim», após uma reunião de emergência que decorreu em Bruxelas.

O Ministro da Saúde voltou a atualizar a contabilização de vítimas dos confrontos na praça da Independência, em Kiev, e confirmou 75 mortos. Este número é inferior ao balanço provisório avançado ontem por fontes médicas dos manifestantes, que davam conta de cerca de cem mortos e mais de 500 feridos.

Centenas de manifestantes derrubaram esta madrugadas uma estátua do fundador do Estado soviético, Vladimir Lenine, instalada numa praça da cidade de Zhitomir, noroeste da Ucrânia.