Na Ucrânia, os manifestantes não dão tréguas, nem mesmo com as promessas do presidente. Viktor Yanukovich anunciou a remodelação do governo na próxima semana e garantiu que o parlamento vai alterar as polémicas leis que limitam o direito à manifestação. Mas os protestos continuam.

Aliás, as promessas de Viktor Yanukovich incendiaram os ânimos dos manifestantes da oposição que há nove semanas ocupam o centro de Kiev.

Noite dentro, atearam um enorme fogo próximo da sede do Governo. Homens e mulheres, formaram uma cadeia humana para encaminhar pneus velhos para o fogo junto da barreira policial. Outros lançaram cocktails molotov.

Mas desta vez a polícia optou por não atacar as barricadas da oposição. Preferiu usar bombas de atordoantes e canhões de água para apagar as chamas.

Os manifestantes dizem que é tempo do presidente partir.

Num encontro com os líderes da oposição, Yanukovich prometeu remodelar o governo e convocar uma sessão do parlamento, já na próxima semana. Prometeu ainda rever as polémicas leis contra o direito de manifestação, aprovadas pelo partido das regiões do presidente.

Com estas as cedências, Yanukovich procura acabar com a crise política e travar a contestação que alastra já a outras regiões da Ucrânia.

Mas a oposição quer mais. A demissão do primeiro-ministro Mykola Azarov e de outros aliados do Presidente. Bem como a responsabilização das forças de segurança. As mesmas elogiadas por Yanukovich e responsáveis por dezenas de detenções arbitrárias e desaparecimentos de manifestantes.

Nova reunião

Soube-se, entretanto, que o presidente ucraniano recebe hoje os líderes da oposição para novas negociações na sequência da tensão em Kiev, anunciou a Presidência em comunicado.

O antigo campeão de boxe Vitali Klitschko, Arseni Iatsneniouk, líder de um dos partidos da oposição e o nacionalista Oleg Tiagnybok participam no encontro, que pretende encontrar uma solução para a crise desencadeada há mais de dois meses e que se agravou esta semana com confrontos entre a polícia e manifestantes.