A Rússia já tem 30 mil militares na Crimeia, garantem os guardas da fronteira do território com a Ucrânia, segundo avanço esta sexta-feira a agência Reuters.

Serhiy Astakhov, auxiliar do serviço de comando dos guardas da fronteira, disse à Reuters que o número é uma estimativa que inclui as várias tropas que chegaram à península desde a semana passada e a frota do mar Negro permanentemente estacionada no porto de Sevastopol.

A Rússia continua a afirmar que estas últimas, em Sevastopol, são as únicas tropas que tem na Crimeia e que não enviou quaisquer outras forças militares para a península. No entanto, os militares que ocupam o território, apesar de não possuírem insígnias russas, são muito organizados e conduzem veículos com matrículas militares do país de Vladimir Putin.

A Ucrânia garante que milhares de tropas extras têm chegado e ocupado o território legalmente ucraniano. O número agora avançado é quase o dobro do anterior, que afirmava que cerca de 16 mil soldados russos estavam na Crimeia.



Sejam, ou não, tropas russas, a verdade é que esta quinta-feira 47 militares da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) foram impedidos de entrar na Crimeia para uma missão de investigação sobre a situação na península.

Vários países e organizações já mostraram o descontentamento com a Rússia pela situação que se vive no território do mar Negro, entre elas a NATO que já afirmou defender a Ucrânia se necessário, o Canadá, que expulsou soldados russos do seu país, os EUA que já decidiram aplicar sanções a todos os envolvidos na perda de soberania da Ucrânia, assim como a União Europeia.

A Rússia já reagiu a estas sanções, e acusa a UE de tomar uma «posição extremamente contra produtiva» ao suspender as conversas sobre as barreiras das viagens entre UE e a Rússia por causa da Ucrânia.

«A Rússia não vai aceitar a linguagem das sanções e ameaças» e irá retaliar as imposições da União Europeia se estas entrarem em vigor», disse à Reuters o ministro dos Negócios Estrangeiros russo.

Entretanto, o comité olímpico da Ucrânia confirmou que irá participar nos jogos paralímpicos de inverno em Sochi, Rússia, apesar da crise na Crimeia. Uma decisão que já foi apoiada pelo presidente russo, Vladimir Putin, que diz que as questões políticas nada têm a ver com os jogos.

O deteriorar das relações entre Rússia, Ucrânia e seus aliados agravou-se na quinta-feira após o governo pró-russo da Crimeia ter aprovado no parlamento abandonar a Ucrânia e juntar-se à Federação Russa.

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