ATUALIZADA

A primeira estação de televisão autonómica de Espanha morreu, esta sexta-feira, às 12:19. Foi a hora em que o Governo regional conseguiu que se desligasse a emissão da Rádio Televisão Valenciana (RTVV) graças a uma ordem judicial. Os trabalhadores estiveram «barricados» mais de 12 horas no interior da estação a participar numa emissão especial sobre a crónica da morte anunciada do canal com 24 anos.

De acordo com o diário «El País», a polícia entrarou na RTVV para desalojar os trabalhadores que tentavam evitar o fecho temporário da estação, desligando pouco depois a transmissão.Cerca de 30 agentes policiais entraram pelas portas traseiras da estação para dar cumprimento à decisão de um tribunal de Valência, que deu parecer favorável ao despejo das instalações.

Vinte minutos depois de entrar, a polícia despejou a sala de controlo, desligando o sinal da RTVV.

«Voltará RTVV. Voltará RTVV», gritaram, com palmas, os trabalhadores que se mantiveram no estúdio principal até ao último momento.

«Fabra demissão. Não tem vergonha», ouvia-se no corredor de acesso à sala de controlo, numa referência ao contestado presidente regional Alberto Fabra.

Tribunal ordena fecho voluntário ou «por força policial»

O Tribunal Superior de Justiça da Comunidade Valenciana ordenou esta sexta-feira de manhã o despejo «imediato» das instalações da Rádio Televisão Valenciana (RTVV) em Burjassot de forma voluntária ou, caso isso não ocorresse, «por força policial».

O tribunal deu assim parecer favorável a um relatório da procuradoria, que recordava as medidas cautelares solicitadas pela comissão de liquidação da RTVV, nomeada na quinta-feira pelo governo regional.

Se a saída dos trabalhadores da RTVV não ocorresse de forma imediata e voluntária, «proceder-se-á ao despejo do edifício pela força policial», de acordo com a decisão do tribunal.

Trabalhadores da RTVV impediram durante a madrugada desta sexta-feira que um técnico contratado pelo governo regional desligasse a emissão. Os trabalhadores estiveram bloqueados no interior da estação de televisão, que estava rodeada por um cordão policial, a participar numa emissão especial sobre a tentativa de fecho da emissão do canal.

Várias páginas online, incluindo a da televisão regional da Galiza, retransmitiram entretanto o sinal da televisão regional. O sinal foi igualmente transmitido na plataforma multicanal da RTVE, a televisão pública nacional espanhola. Mensagens de solidariedade com os trabalhadores da RTVV multiplicaram-se também nas redes sociais.

Governo regional sem capacidade financeira para RTVV

O Governo da região espanhola de Valência anunciou no início de novembro o fecho da Radiotelevisão Valenciana (RTVV). Isto depois de uma decisão judicial que declarou nulo um processo de despedimento coletivo que afetava mil trabalhadores do grupo.

Na altura, Alberto Fabra, presidente do Governo regional, disse que não há dinheiro para assumir uma sentença de um tribunal que obriga a reintegrar mil trabalhadores despedidos.

O Tribunal Superior de Justiça da Comunidade Valenciana (TSJCV) anulou o ERE (modelo usado em Espanha para despedimento coletivo), ordenando que os trabalhadores sejam reintegrados. O TSJCV considera terem sido violados vários direitos fundamentais, nomeadamente alterações à lista de empregados afetados.

Alberto Fabra afirmou que o governo regional não tem capacidade financeira para assumir a sentença do tribunal. O governante explicou que reintegrar os trabalhadores implicaria custos de 40 milhões de euros e defendeu por isso que a única solução era o fecho da RTVV.

Desde então os trabalhadores da RTVV mantiveram a emissão com um forte conteúdo de contestação à decisão, num episódio que terminou esta sexta-feira.