Edward Snowden quebrou o silêncio pela primeira vez desde que fugiu para Moscovo, há oito dias. O ex-consultor da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos diz que continua livre e ameaça fazer novas revelações de interesse público sobre a atividade de espionagem dos EUA.

Numa carta enviada ao presidente do Equador, a que a agência Reuters teve acesso, Snowden diz que os EUA o perseguem ilegalmente por revelar o programa de vigilância eletrónica, PRISM. Edward Snowden também agradece ao Equador por o ter ajudado a chegar à Rússia e por estar a analisar o pedido de asilo.

«Eu permaneço livre e capaz de publicar informações que servem o interesse público», afirma Snowden na carta escrita em espanhol, sem data, que dirige ao presidente Rafael Correa.

«Não importa quantos dias mais tenho de vida, continuo dedicado à luta pela justiça neste mundo desigual. Se alguns desses dias resultarem numa contribuição para o bem comum, o mundo terá de agradecer ao Equador por ter defendido esses princípios», escreve o norte-americano.

A carta foi conhecida horas depois de o presidente da Rússia ter garantido que não vai entregar Edward Snowden, que terá pedido asilo à Rússia esta segunda-feira.

Snowden acusa Obama de violar Direitos Humanos

Já esta segunda-feira à noite, Edward Snowden emitiu um comunicado desde Moscovo através do Wikileaks.

O ex-consultor da CIA começa por afirmar que, uma semana depois de ter deixado Hong Kong, «a minha segurança e liberdade estão ameaçadas por revelar a verdade».

Snowden acusa Barack Obama de pressionar e mandar pressionar os líderes mundiais a quem pediu asilo político. E vai mais longe. Escreve mesmo que os Estados Unidos, os grandes defensores dos Direitos Humanos, estão a violar o artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos do Homem: precisamente o artigo que confere o Direito de Asilo.

Antes de terminar o comunicado, Edward Snowden refere ainda que o presidente dos EUA não tem medo de pessoas que revelam a verdade, mas sim de «uma opinião pública informada e revoltada que exige ao governo aquilo que prometeu».

Edward Snowden despede-se, escrevendo que não se deixa vergar.