O ministro dos Negócios Estrangeiros sírio informou, este domingo, que o regime autorizou o acesso dos inspetores da ONU ao local onde ocorreu o alegado atentado químico da última quarta-feira. Os inspetores vão visitar o local já esta segunda-feira. Segundo os Médicos Sem Fronteias, pelo menos 355 pessoas morreram com sintomas neurotóxicos e mais de três mil ficaram feridas.

Segundo o gabinete do secretário-geral, Ban Ki-moon, a Síria já prometeu um cessar-fogo durante a visita das Nações Unidas aos subúrbios de Damasco com o intuito de encontrar provas do alegado atentado químico, que a confirmar-se é o maior dos últimos 25 anos. Este domingo, os EUA sublinharam que restam já poucas dúvidas sobre a existência de um ataque químico com origem no governo sírio.



«Com base na informação do número de vítimas, dos sintomas detetados daqueles que ficaram feridos e mortos, dos testemunhos e outros factos recolhidos por fontes dos serviços de inteligência dos EUA e de parceiros internacionais, resta a este ponto uma dúvida muito pequena de que uma arma química foi usada pelo regime sírio contra civis neste incidente», declarou fonte oficial da Administração Obama à Reuters. «Nós continuamos a aceder aos factos para que o presidente possa tomar uma decisão informada sobre como responder a este uso indiscriminado de armas químicas», acrescentou.

Depois da movimentação de ontem das forças armadas norte-americanas, as autoridades sírias responderam com o aviso aos EUA. «Qualquer ataque militar irá inflamar o médio oriente», defenderam as forças sírias, que acusam os rebeldes de terem usado o ataque químico como «um último recurso» para provocar a intervenção estrangeira na guerra civil síria. Também a Rússia já deixou um aviso aos EUA, considerando que atribuir culpa demasiado cedo ao regime de Damasco será um «erro trágico».

«Nós aconselhamos fortemente àqueles que tentam impor a sua opinião aos peritos das Nações Unidas, antes de qualquer resultado das investigações, que exerção a discrição e não façam erros trágicos», disse o ministro dos Negócios Estrangeiros russo. O clima de tensão aumentou também com as declarações do Irão que igualmente avisaram a Casa Branca.

«América sabe os limites da linha vermelha e qualquer passagem da linha vermelha da Síria terá severas consequências para a Casa Branca», disse Massoud Jazayeri, chefe de gabinete das forças armadas iranianas

A troca de ameaças entre a comunidade internacional deixa antever uma decisão de eventual intervenção, no entanto, para já, é nas ruas de Damasco que as consequências do alegado ataque químico se vão, mais uma vez, sentir. As promessas de vingança e reforço de armamento já estão em curso.

Este domingo foi divulgada uma gravação no YouTube do líder do grupo armado sunita Jabhat al-Nusra, ligado à al-Qaeda, que promete vingança pelo ataque químico. «Por cada bomba química que caiu na nossa gente em Damasco, uma das vilas deles vai, pela vontade de Deus, pagar por isso», disse, prometendo ainda que «mil foguetes serão disparados sobre as cidades deles pela vingança do massacre».

As forças da oposição informaram que 400 toneladas de armas foram enviadas pela Turquia para a Síria para dar capacidade de resposta às forças rebeldes. A mesma fonte adiantou que este carregamento que terá chegado nas últimas 24 horas é já um dos maiores desde o início do conflito.