Notícia atualizada às 13:23

Pelo menos 16 pessoas, incluindo uma família de quatro brasileiros, morreram e várias pessoas continuam desaparecidas devido às inundações na ilha da Sardenha, onde o Governo italiano decretou o estado de emergência.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros garantiu à Lusa que não há portugueses afetados na região.

O governador da região, Ugo Cappellacci, atualizou o balanço das vítimas para 17, mas sublinhou que ainda há desaparecidos, sem no entanto apontar um número. Só na zona de Olbia (nordeste da ilha), morreram treze pessoas, segundo a agência France Presse.

Quatro brasileiros, pais e dois filhos, foram encontrados afogados no interior do seu apartamento, numa cave, em Arzachena, não muito longe de Olbia, informação já confirmada pelo consulado do Brasil em Roma, de acordo com a imprensa brasileira.

O casal, ambos com 42 anos, naturais de Divinolândia, no interior de São Paulo, e Poços de Caldas, em Minas Gerais, o filho, com 20 anos, e a filha, de 16, terão morrido entre segunda-feira e a madrugada de hoje, segundo o consulado, que está a contactar os familiares das vítimas para proceder à trasladação dos corpos.

«Estamos perante uma tragédia incrível. Em 24 horas caiu na Sardenha a chuva correspondente a seis meses em toda a Itália. O mais importante agora é salvar vidas e realizar intervenções urgentes na estrada principal da ilha», informou o primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, depois da reunião de emergência do Conselho de Ministros convocada esta manhã.

O Governo italiano destinou uma ajuda de 20 milhões de euros para minimizar os danos e apoiar os afetados pela passagem do ciclone Cleópatra, que se abateu sobre a ilha na segunda-feira e que continua a causar chuvas em todo o país.

Na ilha, as equipas de salvamento continuam a procurar chegar às zonas rurais e montanhosas, cujo acesso foi dificultado pelos deslizamentos de terras e queda de pontes. Os bombeiros já efetuaram mais de 600 intervenções.

A vila portuária de Olbia, um destino turístico popular durante os meses de verão, ficou praticamente toda inundada, o que obrigou à retirada de centenas de residentes, que foram acolhidos temporariamente em hotéis, pavilhões desportivos ou nas casas de vizinhos.

As chuvadas surpreenderam os habitantes pela sua violência, mas as autoridades não classificam o ocorrido como ciclone.

«Caiu 440 mm de chuva, mais que o normal em seis meses. Trata-se de uma ocorrência excecional», afirmou à televisão SkyTG24 o responsável da proteção civil, Franco Gabrielli.

No entanto, um porta-voz deste organismo sublinhou que a proteção civil «nunca falou de um ciclone», um termo que «tem sido utilizado apenas pelos meios de comunicação social».

«É um evento extraordinário pela quantidade de água que caiu», reiterou o governador.

A tempestade «atingiu cerca de 20.000 pessoas, mas a fase de emergência mais grave já passou», disse à AFP Gianfranco Galaffu, diretor da proteção civil na província de Sassari, que supervisiona a área de Olbia.

O responsável admite que venham a ser encontradas outras vítimas que poderão estar presas no interior de carros nas zonas de baixa altitude.

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, manifestou-se chocado com as consequências do ciclone Cleópatra na ilha italiana da Sardenha, numa mensagem de condolências divulgada em Bruxelas.

«Fiquei profundamente chocado ao saber, hoje, da devastação e da perda de vidas em consequência das inundações causadas pelo ciclone Cleópatra», disse José Manuel Durão Barroso, sublinhando ser «um golpe trágico».

Durão Barroso manifestou condolências às famílias das vítimas, aos habitantes da Sardenha e às autoridades de Itália.