A Rússia aconselhou, esta terça-feira, a Ucrânia a desistir de todo o tipo de «preparativos militares» para acabar com os protestos pró russos nas regiões orientais ucranianas, alertando que essas ações podem resultar numa guerra civil.

De acordo com a CNN, o alerta veio depois de ativistas pró-Rússia terem tomado edifícios do Estado nas cidades orientais ucranianas de Kharkiv, Donetsk e Lugansk, onde também declararam a independência e prometeram votar a favor da adesão à Rússia.

Kiev acusa a Rússia de fomentar a agitação, enquanto Washington advertiu o Kremlin para acabar com os esforços para «destabilizar a Ucrânia», acusações rebatidas por Moscovo.

«Nós apelamos ao cessar imediato de todos os preparativos militares, que arriscam desencadear uma guerra civil», referiu o Ministério do dos Negócios Estrangeiros numa declaração difundida esta segunda-feira, numa altura em que as tensões se agravaram desde domingo, quando manifestantes pró-russos ocuparam edifícios oficiais em várias localidades do leste ucraniano.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo afirmou também que a Ucrânia estava a utilizar operacionais de segurança norte-americanos vestidos com uniformes das forças especiais ucranianas.

O mesmo ministério disse ter informação de que a Ucrânia estava a enviar forças de segurança internas e voluntários da Guarda Nacional, incluindo combatentes do movimento ultranacionalista ucraniano Pravy Sektor (Setor Direito) para o sudeste da Ucrânia, incluindo a cidade de Donetsk.

Num artigo para o jornal britânico «Guardian», o ministro russo dos Negócios Estrangeiros confirma as denúncias. «A tarefa que lhes foi confiada é a de esmagar pela força a contestação dos habitantes do sudeste do país contra a política das autoridades de Kiev», refere Sergei Lavrov.

O alerta de Lavrov surge como uma espécie de resposta às denúncias do Governo ucraniano que, na segunda-feira, afirmou que a tomada de edifícios no Leste da Ucrânia por grupos pró-russos representa «a segunda fase de um plano de desestabilização da Rússia» com vista a desmembrar o país.

No mesmo artigo para o «Guardian», o chefe da diplomacia russa volta a rejeitar as interferências na situação interna da Ucrânia e acusa os países ocidentais de, com as suas denúncias, estarem a «aumentar sem razão a tensão» na região.