Há «provas claras» do assassínio de 11.000 presos na Síria, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira pelo The Guardian e pela CNN, que apresenta imagens que podem ser consideradas chocantes.

Tratam-se de crimes de guerra «à escala industrial» praticados pelo regime de Bashar al-Assad, consta no documento.

A investigação esteve a cargo de três procuradores internacionais de renome, que analisaram milhares de documentos e fotografias do Governo sírio que registam as mortes nas prisões entre março de 2011 e agosto de 2013.

A maior parte das vítimas são jovens do sexo masculino, que apresentam corpos subnutridos, ensanguentados e torturados. Alguns não têm olhos e outros têm ainda sinais de estrangulamento ou eletrocussão.

Especialistas dizem já tratar-se do relatório mais detalhado e a uma escala maior do que alguma vez foi conseguido em 34 meses de conflito na Síria.

Os três procuradores conseguiram entrevistar um polícia militar sírio que trabalhou secretamente com a oposição síria antes de fugir do país. Três sessões nos últimos dez dias foram suficientes para considerarem os seus testemunhos «credíveis». O homem, identificado apenas como César, por razões de segurança, era fotógrafo na polícia militar síria.

As provas foram sujeitas a um rigoroso escrutínio, garantem os autores do relatório Desmond de Silva, ex-procurador-chefe do tribunal de guerra para a Serra Leoa, Geoffrey Nice, ex-procurador-chefe da acusação do antigo presidente jugoslavo Slobodan Milosevic no Tribunal Penal Internacional David Crane que acusou o presidente Charles Taylor da Libéria no tribunal da Serra Leoa.

O desertor enviou cartões de memória com as fotografias para um contacto fora da Síria, pertencente ao Movimento Nacional Sírio, que é apoiado pelo Qatar. Este Estado do Golfo, que financiou e armou os rebeldes sírios, pede a condenação de Assad.

Peritos forenses analisaram as fotografias e autenticaram amostras de 50 mil imagens digitais correspondentes a 11 mil vítimas.

O documento de 31 páginas já foi disponibilizado à ONU.