Atualizada às 16:52

Pelo menos quatro manifestantes foram mortos esta quarta-feira no centro de Kiev durante confrontos com as forças de segurança. A CNN cita fontes médicas que deram conta de 400 feridos.

Os confrontos já levaram o ministro dos Negócios Estrangeiros sueco a pedir esta quarta-feira uma posição da União Europeia.

A polícia ucraniana negou que tenha usado armas de fogo nos confrontos que prosseguem no país desde domingo, mas os serviços médicos do movimento de protesto confirmaram a morte de um manifestante depois de ter sido atingido a tiro pela polícia.

Um homem não identificado ligou para as autoridades a dar conta de um cadáver na biblioteca da Academia Nacional de Ciências, adiantou a procuradoria em comunicado.

Pouco depois, os manifestantes levaram para aquela biblioteca outro homem com ferimentos de bala, que acabou por falecer mais tarde.

A procuradoria da Ucrânia adiantou também que pelo menos 50 pessoas foram raptadas terça-feira à noite nas ruas de Kiev. «Segundo testemunhos, várias pessoas foram agredidas brutalmente e levadas para local desconhecido», referiram.

O comunicado indicou ainda que «alguns deles estarão nos edifícios da autarquia de Kiev e na Casa dos Sindicatos (ocupados pela oposição)».

Centenas de manifestantes voltaram a envolver-se esta quarta-feira em confrontos com a polícia em Kiev, lançando petardos e cocktails molotov contra as forças policiais, segundo as imagens de televisão transmitidas em direto a partir do local dos distúrbios.

Pequenos grupos de polícias avançaram várias vezes em direção às barricadas onde se encontravam os manifestantes para lançar gás lacrimogéneo e voltavam depois ao cordão policial.

Os manifestantes, com paus e ferros, batiam quase ininterruptamente nas carroçarias dos veículos incendiados e outros objetos metálicos, criando um ruído ensurdecedor.

A polícia ucraniana rompeu depois as barricadas construídas pelos manifestantes no centro de Kiev, gerando novos confrontos com a detenção de vários participantes no protesto.

A polícia rompeu as barricadas pouco depois das 06:00, hora de Lisboa, na rua Grushevsky, em Kiev, segundo imagens divulgadas em direto pela televisão, e começou a deter manifestantes, o que despoletou violentos confrontos.

Depois de destruir as barricadas junto a vários edifícios do centro de Kiev, a polícia antimotim começou, a meio do dia, a avançar com um blindado na direção dos manifestantes.

A violência na capital ucraniana já causou mais de 200 feridos desde domingo.

O Presidente da Ucrânia, Viktor Ianukovitch, apelou aos ucranianos para que não sigam «os extremistas» e afirmou que «ainda não é tarde» para resolver pacificamente a crise.

«Lamento profundamente a morte de pessoas no conflito provocado por extremistas. Apelo às pessoas para que não sigam os apelos dos radicais políticos», disse Ianukovitch, num comunicado difundido pela presidência.

«Ainda não é tarde para parar e resolver o conflito pela via pacífica», acrescentou.

A presidência anunciou, pouco depois, em comunicado, que Ianukovitch recebeu três dirigentes da oposição - Arseni Iatseniuk, Oleg Tiagnibok e o ex-boxeur Vitali Klitschko - para tentar pôr fim aos confrontos.

A Alta Representante para a Política Externa da União Europeia, Catherine Ashton, e o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, condenaram hoje a escalada de violência em Kiev.

«Condeno veementemente a escalada de violência esta noite em Kiev», disse Ashton, em comunicado, sublinhando que o relato da morte de pelo menos três manifestantes «é uma fonte de extrema preocupação».

Também Rasmussen se disse «extremamente preocupado com os dramáticos desenvolvimentos na Ucrânia e os relatos de várias mortes em Kiev», acrescentado condenar o uso de violência.

«A violência nunca pode ser a resposta a uma crise política».