Segunda noite de protestos em Kiev na Ucrânia. As manifestações acabaram em confrontos com a polícia, depois dos manifestantes terem tentado entrar na sede do Governo. Mais de 50 mil ucranianos protestaram contra a decisão do Governo de suspender um acordo de associação com a União Europeia. Os manifestantes acusam o presidente Viktor Ianukovitch de ter cedido às pressões de Moscovo.

Os manifestantes querem que o acordo seja assinado na cimeira europeia marcada para o final de novembro em Vilnius, na Lituânia. Caso contrário exigem a demissão de Ianukovitch.

«Hoje já não se trata da escolha de uma política, da escolha de um partido político específico. É a escolha dos nossos valores. Não se vê apenas bandeiras de partidos políticos. Também há muitas bandeiras da Ucrânia e da União Europeia», disse uma manifestante, citada pela Euronews.

À margem da manifestação alguns participantes tentaram ultrapassar um cordão de segurança em frente à sede do Governo ucraniano e foram afastados pela polícia, que usou gás lacrimogéneo. O protesto convocado pela oposição também exigia a libertação da ex-primeira ministra Yulia Tymoshenko. A filha da líder da oposição falou de revolução e de esperança até à cimeira de Vílnius onde o acordo deveria ser assinado.

«Acho que é apenas o início desta revolução que nos levará à Europa. Temos apenas cinco dias e acreditamos que se o povo ficar aqui e lutar juntamente com os políticos, seremos capazes de fazer com que o Governo assine», afirmou Evgenya Tymoshenko.

Na quinta-feira, o Governo ucraniano causou surpresa ao voltar atrás com a decisão de assinar um acordo de associação com a União Europeia. Em vez disso, o país prepara-se para entrar para a União Aduaneira que junta a Rússia e outras ex-repúblicas soviéticas.

É a primeira vez desde a Revolução Laranja que tão grande multidão avança pelas ruas de Kiev. Na altura uma série de protestos tomou a Ucrânia em resposta às alegações de corrupção e de fraude eleitoral durante as presidenciais de 2004.