Pelo menos 44 pessoas morreram, este domingo, e 246 ficaram feridas, no Egito, durante confrontos no Cairo entre as forças de segurança e os apoiantes do presidente destituído Mohamed Morsi, anunciou um responsável do Ministério da Saúde.

A 6 de outubro de 1973, o exército egípcio entrava no Sinai e começava o último dos conflitos contra Israel. Quarenta anos depois, o palco de batalha é o centro do Cairo, palco de um conflito que dura há bem mais tempo do que os 20 dias que durou a guerra do Yom Quipur. De um lado a irmandade muçulmana, que levou ao poder Mohamed Morsi, do outro os que apoiaram o golpe militar, que depôs, em julho, o primeiro Presidente eleito democraticamente no país.

As duas fações tinham convocado manifestações para este domingo e confirmaram-se os piores receios. A violência voltou às ruas, de costas voltadas ao apelo à unidade feito pelo Presidente interino, no dia anterior. Enquanto na simbólica Praça Tahrir, decorriam as cerimónias do feriado nacional, em vários outros pontos do Cairo travaram-se batalhas campais durante horas, que se saldaram em dezenas de mortos e de feridos.

E a violência das ruas, chegou até ao rio Nilo. Vários elementos da Irmandade Muçulmana tentaram fugir às autoridades, mas um disparo de gás lacrimogêneo obrigou vários deles a trocarem o barco pelo Nilo.

Em terra os problemas prometem continuar pela noite dentro, ao som de disparos, protestos e com muitas ruas apenas iluminadas pelo brilho das fogueiras acesas dos manifestantes.