O Reino Unido não vai participar numa ação militar de retaliação contra a Síria. O governo do primeiro-ministro David Cameron viu derrotada esta quinta-feira à noite, no Parlamento, a moção que dava a aprovação de princípio a uma intervenção armada britânica. É cada vez mais provável que sejam os Estados Unidos, sozinhos, a avançar com um ataque contra o regime de Bashar al-Assad.

De acordo com as agências internacionais, a Câmara dos Comuns chumbou a intervenção militar na Síria com 285 votos contra e 273 a favor, depois de mais de sete horas de deliberação.

«Ficou claro para mim que o Parlamento britânico não quer ver uma ação militar britânica. Eu compreendo isso, e agirei de modo a respeitar esta decisão», disse David Cameron no final da votação.

A proposta do Governo já tinha sido alterada por exigência da oposição trabalhista para assegurar que uma intervenção só aconteceria se os inspetores da ONU confirmassem o uso de armas químicas por parte do regime de Bashar al-Assad. Depois de um longo debate, os deputados inviabilizaram a participação de forças britânicas numa intervenção mesmo que os inspetores da ONU, que estão na Síria até sábado, concluam que houve recurso a armamento químico.

A acusação de que Assad usou armas químicas tornou mais provável uma intervenção internacional. Os EUA já afirmaram ter provas dos ataques, mas a Casa Branca também frisou que uma intervenção será limitada e não terá a dimensão do que aconteceu no Iraque.

O ministro britânico da Defesa, Philip Hammond, afirmou, citado pela BBC, ter esperança de que a intervenção seja levada a cabo por outros países. «Espero que os EUA e outros países continuem a avaliar as respostas a um ataque químico. Não espero que a falta de participação britânica vá impedir qualquer ação», referiu.