O papa Francisco declarou, em Assis, que «hoje é um dia de lágrimas», sobre o luto decretado pelas autoridades italianas, na sequência da tragédia ao largo da ilha siciliana de Lampedusa.

Muito comovido, o papa denunciou «a indiferença em relação àqueles que fogem da escravatura e da fome para encontrar a liberdade, e encontram a morte, como ontem em Lampedusa».

Na quinta-feira, mais de cem pessoas morreram e cerca de 200 estão dadas como desaparecidas no naufrágio de uma embarcação, que transportava imigrantes clandestinos da Somália e da Eritreia, proveniente da Líbia.

Francisco falava numa visita a Assis, cidade natal do padroeiro de Itália, S. Francisco, e modelo inspirador do papa, no nome escolhido pelo líder da Igreja católica e pela exaltação do despojamento, da paz (na época das cruzadas) e pela proteção da criação de Deus.

«A Igreja deve despojar-se de toda a mundanidade, que mata a alma e as pessoas e a própria Igreja», disse Francisco, durante um encontro com pobres na Sala do Expólio da Diocese de Assis.

O papa, que chegou a Assis antes das 07:45 (06:45 em Lisboa) e visitou o santuário de S. Damião, garantiu que esta é uma boa ocasião para a Igreja se despojar da mundanidade «que leva à vaidade, à prepotência, ao orgulho».

A visita a Assis, na região de Úmbria, no centro do país, deve terminar cerca das 18:00 de hoje em Lisboa.

Esta é a terceira viagem de Francisco em Itália. Em julho, visitou a ilha de Lampedusa (Sicília) e, em setembro, Cagliari (Sardenha), defendendo sempre os pobres e os marginalizados pela globalização.