Cerca de 70 mil pessoas responderam ao apelo do Papa e participaram, este sábado, numa vigília de quatro horas pela paz na Praça de São Pedro, em Roma.

Numa mensagem aos católicos, mas também a todos os cristãos, aos fiéis de outras religiões e aos ateus, Francisco apelou ao jejum e à oração contra a guerra ou uma solução militar na Síria. «Nunca o uso da violência trouxe paz. A guerra só traz a morte. A humanidade precisa de palavras de esperança. A paz só se afirma com a paz», disse o Papa.



«Na bem-amada nação síria, em todo o Médio Oriente, rezemos pela reconciliação e pela paz», pediu o Sumo Pontífice, citado pela agência noticiosa AFP.

«Quando o homem pensa apenas em si próprio, nos seus próprios interesses, quando se deixa seduzir pelos ídolos da dominação e do poder, quando se coloca no lugar de Deus, então precipita todas as relações, arruína tudo. E abre a porta à violência», referiu Francisco no decurso de uma longa meditação sobre a «bondade» da criação de Deus e o caos que a violência provoca entre irmãos.

O Papa regressou ao tema da primeira missa do pontificado: o homem é convocado para ser «o guardião do seu irmão e da criação».

«Quando a harmonia se quebra, sofre uma metamorfose: o irmão a proteger e a amar torna-se no adversário a combater, a suprimir (...). Fazemos renascer Caim. Todos nós!», referiu.

«Também hoje, erguemos a mão contra aquele que é nosso irmão (...). E esta atitude prossegue: aperfeiçoámos as nossas armas, a nossa consciência adormeceu, tornámos mais subtis as razões para nos justificarmos», observou.

«A violência e a guerra são a linguagem da morte! Pergunto-me: é possível percorrer outro caminho? Podemos de novo aprender a caminhar e a percorrer os caminhos da paz?», questionou.

«Hoje, queria que em todas as partes da terra se dissesse: Sim, é possível para todos! Ou melhor, queria que cada um de vós, do mais pequeno até aos que são chamados a governar nações, responda: sim, nós queremos!», exortou ainda o papa Francisco, num apelo implícito aos chefes de Estado que se pronunciaram por uma solução militar no conflito sírio.