Trinta e três vezes. Este foi o número de alertas feitos ao exército israelita de que na escola de Rafah, bombardeada este domingo de manhã, estavam civis. A garantia foi dada pelas próprias Nações Unidas, que criticaram duramente o ataque. Israel diz que está a investigar o caso e ao final do dia anunciou uma trégua humanitária de sete horas.

«Condenamos veementemente este ataque, porque notificamos o exército israelita 33 vezes sobre o facto de haver pessoas no abrigo, na escola. E a última vez foi uma hora antes [do ataque]», disse Chris Gunness, porta-voz da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina.

Antes, o próprio secretário-geral da ONU tinha-se referido ao ataque, que matou dez pessoas e feriu 30, como um «ultraje moral e um ato criminoso». Ban Ki Moon também considerou o incidente como uma «violação grosseira da lei humanitária internacional», exigindo responsabilidades.

Este é já o terceiro ataque a escolas da ONU com vítimas e o segundo em menos de uma semana. Israel tem-se defendido com o argumento de que os militantes palestinianos estão a usar civis como escudos humanos. Sobre o caso deste domingo, a defesa foi na mesma linha.

«O exército não ataca instalações da ONU», garantiu o tenente coronel Peter Lerner, porta-voz das forças armadas israelitas. Mas admitiu uma operação perto da escola de Rafah.

«De facto, às primeiras horas da manhã, o exército alvejou um grupo de terroristas de motorizada, pelo menos duas pessoas que seguiam ao lado da escola, a grande velocidade. Atingimo-las e estamos atualmente a avaliar as consequências deste ataque», explicou.

EUA: «Bombardeamento vergonhoso»

Mas as explicações não chegaram para afastar o criticismo. «Não há qualquer indício sequer que militantes estivessem dentro da escola, não há qualquer indício que militantes tenham disparado rockets desde dentro da escola. De acordo com a legislação internacional, tem de se distinguir entre combatentes e não combantentes», disse Chris Gunness.

Israel não escapou sequer a palavras duras de Washington. A porta-voz do departamento de Estado norte-americano, Jen Psaki, frisou que os EUA ficaram «chocados com o bombardeamento vergonhoso» deste domingo.

«A suspeita de que militantes estejam a operar nas redondezas não justifica ataques que coloquem em risco a vida de tantos civis inocentes», defendeu Jen Psaki.

A violência deste domingo na Faixa de Gaza fez subir o número de palestinianos mortos para 1775, maior parte deles civis. Do lado israelita, já morreram 64 militares e três civis.

Trégua humanitária

Ao final deste domingo, Israel anunciou de forma unilateral um cessar-fogo em maior parte da Faixa de Gaza.

A medida visa permitir a entrada de ajuda humanitária no território e facilitar o regresso a casa de milhares de deslocados, dizem os militares.

O cessar-fogo tem início previsto às 10:00 locais (8:00 em Portugal continental) e vai prolongar-se durante sete horas, mas não se aplica à zona de Rafah, no sul de Gaza, onde ainda decorrem operações militares.

O exército salientou que apesar do cessar-fogo responderá a qualquer ataque de que for alvo.

Última atualização às 23:45