O sargento Bowe Bergddahl foi libertado sábado passado, numa polémica troca de prisioneiros entre os Estados Unidos e os talibãs. O soldado terá sido capturado em 2009 por talibãs afegãos e a sua libertação foi o resultado de uma dura negociação, liderado pelo Qatar: um soldado americano em troca de cinco prisioneiros talibãs.

Os extremistas revelaram agora o vídeo que mostra a libertação do soldado e as imagens materializam a maior acção de propaganda dos talibã em muito tempo.

No vídeo vê-se o soldado, dentro de uma pick-up, com um ar abatido e visivelmente incomodado com a luz do dia. Está cercado por talibãs armados a observarem a chegada do helicóptero dos Estados Unidos. Um dos talibãs segura um lança-granadas pronto a disparar.

Quando o helicóptero aterra dois talibãs acompanham o soldado. Um deles segura uma bandeira branca.

A troca aconteceu sábado à tarde perto da fronteira com o Paquistão em Khost, província do Afeganistão.

O vídeo, exibido em bruto em vários meios de comunicação social, mostra os últimos momentos do sargento Bowe Bergdahl, mantido cinco anos em cativeiro, junto dos seus raptores.

Narrado pelos talibãs, pode ouvir-se a descrição de uma grande negociação para construir confiança com o outro lado (os EUA). Os talibãs contam também que avisaram todos os Mujahideen (soldados talibãs) para não atacarem o helicóptero. No vídeo ouve-se ainda os talibãs a entoarem cânticos ao seu líder. As imagens duram 17 minutos.

O Pentágono afirmou que está a visionar as imagens e que, até ao momento, não há razões para duvidar da sua veracidade.

A administração do Pentágono disse ainda que a troca foi pacífica e bem-sucedida e que o principal objectivo agora é tratar do militar resgatado.

O acordo feito para esta troca foi o de cinco prisioneiros talibãs, detidos em Guantanamo Bay, Cuba, pelo prisioneiro norte-americano, no Afeganistão. Este acordo tem sido muito criticado nos Estados Unidos, tanto por Democratas, como por Republicanos.

Mas a polémica vai mais longe e alguns ex-colegas do Sargento acusam-no de ser um desertor.

A administração Obama justifica que a decisão foi tomada em nome da saúde e segurança do militar. A negociação foi iniciada em 2010.

Um dos envolvidos no resgate, conta que o soldado mal entrou no helicóptero pediu um papel e caneta e escreveu «SF?». Perguntou se eram do serviço das forças especiais. De acordo com a mesma fonte, Bergdahl chorou ao ouvir a resposta «Sim, estamos à tua procura há muito tempo».

Neste momento, o sargento encontra-se na Alemanha no Centro médico do exército norte-americano. O militar vai fazer exames, receber apoio médico e psicológico. Bergdahl está com dificuldades em falar inglês e a causa provável será o trauma do cativeiro de cinco anos.