Barack Obama agradeceu ao povo sul-africano ter partilhado Nelson Mandela com o mundo.

Mesmo depois de morto, Mandela continua a unir povos e pessoas. O memorial que ficará para a história como a grande homenagem ao prémio Nobel da Paz em Joanesburgo, na África do Sul, juntou uma elite de chefes de Estado mundiais com povo anónimo, conseguiu juntar três presidentes dos Estados Unidos fora da América e promoveu até um encontro entre Obama e Raul Castro - um aperto de mão dos dois líderes selado com um sorriso do chefe cubano.

O presidente norte-americano discursou esta terça no estádio de Joanesburgo, na África do Sul, palco da final do Mundial de Futebol de 2010, transformado no centro das homenagens mundiais a Nelson Mandela.

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Na presença de quase uma centena de chefes de Estado mundiais e dos seus antecessores, Bush e Clinton, Barack Obama começou o seu discurso por endereçar os sentimentos à mulher de Mandela, Graça Machel, mas também ao povo sul-africano.

«É um privilégio único estar aqui convosco para homenagear um homem como nenhum outro. Ao povo da África do Sul - de todas as raças e classes sociais - o mundo agradece terem partilhado Mandela connosco», disse o presidente norte-americano.

«A luta dele foi a vossa luta. O triunfo dele foi o vosso triunfo».

«É difícil elogiar qualquer homem - captar em imagens e não apenas em factos e datas que fazem uma vida, mas a essência de uma pessoa - as suas alegrias pessoais e tristezas; as qualidades únicas que iluminam a alma de uma pessoa. Muito mais difícil se torna fazê-lo com um gigante da história, que levou a justiça a uma nação e com isso moveu milhões no mundo», cita o «Washington Post».

«Mabiba é o último grande libertador do século XX», como Ghandi e Luther King acrescentou Obama.

Mandela, um homem adorado mas que dizia «não ser um santo, a menos que considerassem que um santo é um pecador que nunca desiste de tentar», frisou o chefe de Estado americano.

«Mandela ensinou-nos o poder de agir, mas também das ideias; a importância da razão e dos argumentos; a necessidade de estudar não apenas aqueles com quem concordamos, mas também os outros. Ele mostrou que as ideias não podem ser travadas pelas paredes das prisões», afirmou Barack Obama.

No início do seu discurso, Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos que sempre se disse inspirado por Madiba, dirigiu-se aos chefes de Estado «do passado e do presente». O «legado» de Mandela é uma herança também para o futuro.