Apesar do risco, mais de vinte condutoras aderiram, este sábado, à campanha contra a proibição que vigora na Arábia Saudita. O dia de luta das mulheres pelo direito a conduzir foi para a frente mesmo contra a pressão do Ministério do Interior, da monarquia e da elite religiosa ultraconservadora. Algumas ativistas receberam várias ameaças telefónicas, mas ainda assim algumas pegaram no volante e publicaram os vídeos na Internet, noticia a Associated Press.

A «campanha», assim denominada porque os protestos políticos são ilegais na Arábia Saudita, foi a terceira desde 1995. Nesse ano, a contestação levou à detenção de 50 mulheres, que além de verem os passaportes confiscados também perderam os empregos.

Em 2011, uma nova manifestação em várias cidades também terminou com detenções: sob pressão da comunidade internacional, o rei Abdullah acabou por perdoar a pena de Shaima Jastaniya, de 34 anos, condenada a dez chicotadas por conduzir em Jidá.



Na Arábia Saudita, não há nenhuma lei ou regulamento a determinar que a condução de veículos está vedada à população do género feminino. A proibição resulta de uma determinação do Grande Mufti, a principal autoridade religiosa, que nos anos 1990 decretou que a condução expunha as mulheres à tentação.

Dez anos mais tarde, quando se pôs a hipótese de rever aquele edital, surgiu uma nova «recomendação» do supremo conselho religioso Majlis al-Ifta al-Aala. O edital alertava para uma «perigosa» relação de causa e efeito: nas sociedades onde as mulheres foram autorizadas a conduzir, o «declínio moral» e o «caos social» acentuaram-se. Um relatório que foi entregue à Shura, a assembleia legislativa do reino, apontava algumas das consequências devastadoras do levantamento da proibição: o fim da virgindade, o aumento da pornografia, homossexualidade e divórcio.



O protesto deste sábado foi organizado pela Internet, através de várias redes sociais. Cerca de 17 mil pessoas assinaram uma petição pedindo que as mulheres sejam autorizadas a conduzir. No entanto, na quinta-feira, o porta-voz do Ministério dos Assuntos Internos, Mansour al-Turki, reafirmou que a medida iria manter-se e que as mulheres que não respeitassem a proibição iriam ser castigadas.