O ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, acusou esta sexta-feira as forças russas de «invasão armada e ocupação» de dois aeroportos nas cidades de Sebastopol e Simferopol, na Crimeia.

«Considero o que está a acontecer como uma invasão armada e ocupação em violação de todos os acordos e normas internacionais», escreveu o ministro na sua página do Facebook.

«É uma provocação direta para um banho de sangue armado no território de um Estado soberano. Isto já não está sob a jurisdição do Ministério do Interior. Isto é da competência do conselho de segurança e de defesa nacional», acrescentou.

Segundo Arsen Avakov, «unidades armadas da frota russa bloqueiam o aeroporto Belbek, perto da cidade de Sebastopol».

«Dentro do aeroporto há militares e guardas da fronteira da Ucrânia. No exterior, estão militares vestidos com camuflados e armados, sem distintivos, mas que não escondem pertencerem à frota russa do Mar Negro. O aeroporto não funciona (...). Não existe nenhum confronto armado», escreveu Avakok na sua página do Facebook.

Em Simferopol, a capital da Crimeia, homens armados também tomaram o controle do aeroporto e «não escondem pertencerem às forças armadas russas».

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Um correspondente da AFP tinha constatado anteriormente a presença de homens armados com metralhadoras Kalashnikov e envergando uniformes, mas sem identificação, no aeroporto de Simferopol, que, contudo, continuou a funcionar. Questionados sobre a sua origem, os indivíduos escusaram-se a comentar o assunto.

Na quinta-feira, o parlamento regional da Crimeia, que permaneceu sob o controlo de um comando armado pró-russo, votou a favor da realização de um referendo a 25 de maio para ampliar a autonomia da região em relação a Kiev, tendo também expulsado o Governo local.

O dia 25 de maio é aquele em que deverão realizar-se eleições presidenciais antecipadas na Ucrânia, depois da destituição, no sábado, do Presidente Viktor Ianukovich.

A república autónoma ucraniana da Crimeia tem já o estatuto de república autónoma dentro da Ucrânia, depois de ter pertencido à Rússia, no âmbito da União Soviética, e de ter sido anexada à Ucrânia em 1954.

A Crimeia é especialmente sensível, como sede da frota naval russa no Mar Negro e as tensões ali assumiram novas dimensões depois de o Presidente russo, Vladimir Putin, ter ordenado na quarta-feira exercícios de prontidão militar no oeste da Rússia.