Milhares de sul-africanos, líderes mundiais e personalidades do cinema e da música já se encontram no estádio em Joanesburgo onde às 11:00 (09:00 em Lisboa) arrancou o memorial de Estado ao falecido antigo Presidente Nelson Mandela e onde o ambiente é de celebração. E nem a persistente chuva miudinha que cai no recinto arrefece o entusiasmo.

O ambiente assemelha-se muito ao de um estádio de futebol em dia de grande jogo, num claro clima de festa em homenagens ao homem que libertou a África do Sul do regime de apartheid.

A bancada de imprensa está repleta de centenas de jornalistas, de entre os mais de dois mil repórteres acreditados para as cerimónias.

A viúva de Nelson Mandela, Graça Machel, chegou visivelmente emocionada e na companhia de um grupo de mulheres, vestidas de negro, e vários guarda-costas.

O Presidente sul-africano, Jacob Zuma, foi vaiado quando entrou no estádio. Enquanto alguns setores aplaudiam o chefe de Estado e líder do partido ANC, uma grande vaia vinda das bancadas onde se encontram populares ativistas contra o poder surpreendeu os presentes no estádio. Jacob Zuma voltou a ser vaiado mais tarde, quando o mestre-de-cerimónias o apresentou e o seu retrato surgiu nos ecrãns gigantes do estádio.

Estão presentes muitos líderes mundiais, como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e os presidentes norte-americano, brasileira e cubano, entre mais de 50 chefes de Estado e de Governo que se encontram em Joanesburgo.

Entre os convidados presentes na cerimónia, o mundo lusófono estará representado pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, pela Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, pelo vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, e pelo chefe de Estado moçambicano, Armando Guebuza.

Cabo Verde será representado pelo Presidente Jorge Carlos Fonseca, à semelhança de São Tomé e Príncipe, com a presença de Manuel Pinto da Costa.

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, também confirmou a deslocação a Joanesburgo, enquanto as autoridades da Guiné-Bissau ainda não confirmaram o envio de um responsável oficial.

A África do Sul pretende oferecer ao seu símbolo máximo funerais à medida da sua estatura. Além do estádio Soccer City, três outros estádios de Joanesburgo vão ser abertos à população para a transmissão da cerimónia num ecrã gigante, estando ainda previstos 150 locais de transmissão dispersos por todo o território do imenso país da África austral.

Depois do último adeus em Joanesburgo, o corpo de Mandela vai estar exposto durante três dias na vizinha Pretória, a capital, antes de, no domingo, ser finalmente sepultado nunca campa modesta, junto dos mortos da sua família, em Qunu, a sua terra natal, na província do Cabo Oriental.