A África do Sul é uma nação enlutada pelo falecimento de Nelson Mandela, num luto que por vezes se exprime através das lágrimas, mas muito mais por minutos de silêncio, orações, sorrisos. Mais do que a tristeza, domina o sentimento de gratidão.

«Quero dizer obrigada por tudo, salvaste o nosso mundo», diz uma criança aos microfones dos jornalistas.

Este domingo, membros da família de «Madiba» encontraram-se com as multidões, receberam mais flores e falaram pela primeira vez através do seu porta-voz.

«Enquanto família, aprendemos com ele a apreciar os valores que fizeram dele um líder que foi reconhecido por todos. O maior destes é a lição de que uma vida vivida para os outros é uma vida bem vivida», disse o general Temba Matanzima.



«Parece que esta onda não para de crescer»

O cortejo fúnebre do antigo presidente sul-africano Nelson Mandela vai percorrer as ruas da capital Pretória durante três dias consecutivos, anunciou hoje o governo sul-africano, encorajando a população a acompanhar o percurso na quarta, quinta e sexta-feira da próxima semana.

A segurança foi reforçada no complexo Union Buildings em Pretória, sede do governo sul-africano, onde será instalada a câmara ardente do herói da luta contra a segregação racial na África do Sul.

Por causa da quantidade crescente de pessoas que se têm dirigido ao local para prestar homenagem a Nelson Mandela, agentes da polícia bloquearam as entradas principais do recinto governamental, segundo a agência de notícias sul-africana Sapa.

Centenas de pessoas continua também a convergir para a casa de Nelson Mandela em Joanesburgo, obrigando a polícia a encerrar as ruas à circulação automóvel.

O cortejo e a exposição dos restos mortais de Nelson Mandela em câmara ardente fazem parte dos 10 dias de homenagens e de luto nacional pelo antigo presidente sul-africano, que morreu na quinta-feira aos 95 anos.

A 09 de dezembro, as duas câmaras do parlamento vão realizar uma sessão especial para homenagear o legado de Mandela, enquanto no dia 10 está prevista uma cerimónia no estádio «Soccer City», no Soweto, que em 2010 acolheu a final do Campeonato do Mundo e onde Mandela fez a sua última grande aparição pública.

Entretanto, em Qunu, aldeia de Nelson Mandela no sul rural da África do Sul, os habitantes preparam solenemente o regresso do seu «filho mais amado», que aqui será sepultado a 15 de dezembro.

As Forças Armadas Sul-Africanas estão a mobilizar parte do seu efetivo para participar nos preparativos do funeral.