A ministra da Justiça da Ucrânia, Olena Loukach, ameaçou esta segunda-feira pedir a instauração do estado de emergência se os manifestantes que ocuparam o seu Ministério no centro de Kiev não abandonarem o edifício.

O Ministério da Justiça da Ucrânia foi ocupado na noite de domingo por ativistas, que construíram de imediato uma barricada em torno do edifício com sacos de neve e de lixo, de acordo com a agência France Presse.

Olena Loukach, que participa nas negociações entre a oposição e o Presidente ucraniano, Viktor Ianoukovich, declarou à televisão que iria pedir a interrupção das negociações se os manifestantes não desocuparem a sede do ministério.

«Vou ter de pedir ao Presidente ucraniano para parar a discussão se o edifício não for desocupado e se não for dada uma oportunidade aos negociadores para encontrar uma solução pacífica para o conflito», ameaçou Loukach.

A ministra também afirmou que iria pedir ao conselho de segurança nacional da Ucrânia «para discutir o estabelecimento do estado de emergência».

A Efe escreve que o Ministério da Justiça ucraniano foi ocupado por ativistas da organização Causa Comum.

O líder da Causa Comum, Alexandr Daniliuk, assegurou que a sua organização vai manter o controlo sobre a sede ministerial, mas permitirá a alguns funcionários aceder aos seus gabinetes.

A Causa Comum é uma organização, até agora pouco conhecida, que advoga o fortalecimento do controlo dos cidadãos sobre a gestão governamental.

No domingo, milhares de pessoas, incluindo líderes da oposição ucraniana, assistiram às cerimónias fúnebres de um jovem manifestante em Kiev, morto na semana passada nos confrontos violentos entre manifestantes e a polícia.

Nos últimos dias, a violência voltou à capital ucraniana e a outras cidades do país, tendo-se assistido à ocupação de edifícios oficiais durante os protestos para exigir a demissão de Viktor Ianukovich e do seu Governo.

A oposição mobilizou-se depois de Ianukovich ter recusado, no final de novembro, assinar um acordo de parceria com a União Europeia, preferindo uma aproximação à Rússia.

Ianukovich ofereceu no sábado o cargo de primeiro-ministro ao opositor Arseni Iatseniuk e prometeu analisar alterações à Constituição, mas a oposição recusou as propostas e os seus dirigentes disseram aos manifestantes que pretendem continuar os protestos até que todas as exigências sejam satisfeitas, a começar pela convocação de eleições presidenciais já este ano.