Os manifestantes ucranianos ocuparam esta noite o Ministério da Agricultura, na avenida principal de Kiev, informou a agência AFP.

Ucrânia: a história de um protesto em seis cliques

«Os ativistas do movimento Spilna Spraya [Causa Comum] ocuparam o edifício do Ministério da Agricultura» na rua Khrechtchatik, a 100 metros da praça da Independência, palco da contestação contra o regime iniciada há dois meses, escreveu na sua conta do Facebook o líder do movimento, Olexandre Danyliouk.

Depois das negociações na quinta-feira à noite entre o Presidente Viktor Ianoukovitch e os líderes da oposição, «ficou claro que nós mesmos nos devemos preparar para a ofensiva prometida» pelos chefes da oposição, salientou.

Os manifestantes expandiram depois o seu campo de protesto e barricadas em Kiev. «A praça da Independência é uma ilha da liberdade e vai expandir o seu território até sermos ouvidos», disse o líder da oposição e antigo pugilista Vitali Klitschko.

Com a ajuda de sacos de neve, pneus e outros objetos do mobiliário urbano, os manifestantes passaram a noite a aumentar o seu controlo sobre o centro da cidade para impedir o avanço dos polícias.

Não houve, porém, durante a noite, qualquer incidente violento na capital ucraniana, com os manifestantes e a polícia a respeitarem a primeira noite de tréguas depois de vários dias de confrontos violentos que já causaram cinco mortos e mais de 100 detenções.

Os dirigentes da oposição ucraniana manifestaram a sua deceção, depois da reunião com o Presidente Viktor Ianoukovitch, que se saldaram por modestas concessões, apelando aos manifestantes a permanecerem mobilizados e a evitarem derramamento de sangue.

No fim das quatro horas de reunião, um dos líderes da oposição, Arseni Arseniouk, estimara que existiam «fortes probabilidades» de «terminar com o banho de sangue». Mas, como os outros dirigentes oposicionistas, manifestou-se menos certo pouco depois face aos milhares de manifestantes concentrados na Praça da Independência.

«Sei até que ponto a situação é tensa. Sei até que ponto as expetativas são grandes. Sei que muitos do vocês vão ficar dececionados», declarou o antigo campeão de boxe Vitali Klitschko.

«A única coisa que obtivemos da reunião com Ianoukovitch foi uma promessa de libertação de todos os militantes», adiantou, realçando que o Presidente tinha rejeitado demitir-se ou demitir o governo.

O nacionalista Oleg Tiagnybok acrescentou que o Presidente propusera à oposição que libertasse a Rua Grouchevski, teatro de violentas cenas de guerrilha urbana desde domingo, em troca da tranquilidade na Praça da Independência, ocupada desde há dois meses, localizada algumas centenas de metros.

O Ministério do Interior confirmou estes dois pontos, em comunicado.

Estão previstas novas negociações, mas não se sabe quando. O Presidente pediu a convocação de uma sessão parlamentar extraordinária, prevista para terça-feira.

«Não nos vamos render», insistiu Klitschko, adiantando que era «possível mudar o poder sem derrame de sangue», mas expressando receio que possa haver mais perdas de vidas humanas.

«Mantemos a guarda, nenhum passo atrás», insistiu Arseni Iatseniouk, do partido da opositora emprisionada Iulia Timochenko.