Israel diz que a missão de encerrar os túneis do Hamas está quase completa. Mas salienta que, mesmo com os túneis todos fechados, as operações em Gaza continuam em aberto, enquanto prosseguir a ameaça dos grupos palestinianos. O número de vítimas deste conflito não cessa de aumentar. Já morreram pelo menos 1675 palestinianos e 69 israelitas.

«Depois de finalizar a operação contra os túneis, o exército irá agir e continuará a atuar de acordo com as nossas necessidades de segurança, e apenas de acordo com as nossas necessidades de segurança, até atingir o objetivo de restaurar a segurança para vós, cidadãos de Israel», disse ao país o primeiro-ministro israelita, numa comunicação televisiva.

Benjamin Netanyahu avisou ainda que o Hamas pagará um elevado preço, se continuarem os ataques contra Israel, num dia em que cruzaram a fronteira de Gaza, pelo menos 74 rockets.

Os que não foram interceptados pelo sistema Cúpula de Ferro caíram sem fazer vítimas. Um cenário muito diferente daquele que se vive no sul da Faixa de Gaza, onde já morreram mais de 150 pessoas desde sexta-feira.

Hamas nega saber de militar desaparecido

A zona de Rafah é um teatro de guerra acesa desde o final da trégua, que deveria ter durado 72 horas, mas se quebrou uma hora e meia depois de começar.

Israel responsabiliza o Hamas da violação do cessar-fogo, quando soldados israelitas foram atacados, enquanto prosseguiam as operações para detetar e destruir túneis. Dois morreram e um foi dado como desaparecido até o exército confirmar também a sua morte, ao início deste domingo.

O exército acusara os militantes palestinianos de terem capturado o militar. O Hamas assumiu ter realizado uma emboscada, mas numa altura em que a trégua ainda não estava em vigor. E argumentou que apenas se defendeu de ações militares no seu território.

Quanto ao segundo-tenente desaparecido, o grupo garantira nada saber do seu paradeiro e indicara que, se tivesse sido capturado, poderia ter morrido sob o fogo intenso israelita que se abateu sobre a zona, após o fim da trégua.

520 mil deslocados

O Hamas também já reagiu às declarações deste sábado à noite de Benjamin Netanyahu.

«As suas alegações sobre a destruição de túneis são engraçadas e sem fundamento. Os alvos que Netanyahu diz ter bombardeado foram centenas de mulheres e crianças que foram mortas e os edifícios em Gaza, que foram destruídos», disse o porta-voz do grupo Sami Abu Zuhri.

Enquanto, o número de vítimas continua a subir na zona de Rafah, a sul, Israel comunicou este sábado que os 70 mil habitantes de Beit Lahiya, no norte de Gaza, podem regressar a casa. Também terão recebido autorização idêntica militares israelitas destacados na zona.

Mas para muitos palestinianos o regresso a casa é impossível. Extensas zonas residenciais foram arrasadas e o que resta são ruínas, o medo de bombas por detonar e os corpos de vítimas que não conseguiram fugir, nem ser socorridas.

Segundo Centro Palestiniano para os Direitos Humanos, há 520 mil deslocados em Gaza, o que representa mais de um quarto da população.

Última atualização às 00:30 de domingo