Enquanto prosseguem as buscas pelos quase 300 desaparecidos no naufrágio de um ferry na quarta-feira, na Coreia do Sul, algumas das mensagens enviadas a seguir ao acidente por pessoas que estavam no barco, na maioria estudantes, acentuam a dimensão da tragédia.

«Não há ligações telefónicas, nem internet, por isso mando só esta mensagem. Há poucas pessoas no barco, não se vê nada, está completamente escuro. Há alguns homens e mulheres, e mulheres a gritar. Há pessoas no barco e não estão mortas, por isso passa esta mensagem», escreveu um estudante à mãe, segundo a CNN.

Há vários outros relatos na imprensa coreana. Uma jovem de 18 anos descreveu a situação ao pai. «Tenho um colete vestido e estou com outras raparigas», disse, respondendo assim, depois de o pai lhe dizer para se apressar a sair: «Pai, não consigo. O barco está demasiado inclinado. O convés tem tanta gente.»

Ou a mensagem deste adolescente: «Mãe, caso não consiga dizer-te. Mando-te isto. Adoro-te.» A mãe, aparentemente, ainda não sabia o que se passava. Começou por perguntar porquê, depois respondeu: «Também te amo, filho.»

Os familiares das vítimas desesperam por notícias e criticam as autoridades pela abordagem ao acidente, começando pelo capitão do barco. A tripulação disse aos passageiros para ficarem nos seus lugares, em vez de tentarem abandonar o barco, e não terão sido usadas todas as balsas sava-vidas.

O capitão, Lee Joon-seok, terá abandonado o barco ao fim de 40 minutos e até agora não deu explicações, limitando-se a pedir desculpas. Os próprios motivos para o naufrágio não são ainda claros.