A noite de quarta-feira foi de terror num bairro residencial de Caracas, na Venezuela. Os confrontos aconteceram no mesmo dia em que o Presidente Nicolás Maduro decidiu romper as relações diplomáticas com o Panamá. As imagens que chegam de Caracas são as de uma população em pânico. São imagens de quem desafia o medo e lança o aviso ao mundo nas redes sociais: há uma guerra urbana nos arredores da capital da Venezuela.

A polícia entrou no bairro histórico de Chacao, na noite de quarta-feira, dia de aniversário da morte de Hugo Chávez. De acordo com relatos dos habitantes, vários carros blindados destruíram as barricadas construídas pelos moradores e a polícia chegou a lançar bombas de gás lacrimogéneo para dentro dos quintais.

Horas antes, o Presidente Nicolás Maduro, na homenagem a Chávez, aproveitou a companhia dos amigos para encontrar mais um inimigo. O Presidente do Panamá quer uma reunião da Organização de Estados Americanos para analisar a violência nos protestos antigovernamentais na Venezuela, que nas últimas três semanas já cobraram 19 vidas.

«Decidi romper as relações políticas e diplomáticas com o atual governo do Panamá e congelar todas as relações comerciais e económicas a partir deste momento», anunciou Nicolás Maduro.

Enquanto os amigos aplaudiam mais um passo no sentido do isolamento, nas ruas da capital, e um pouco por todo país, a luta continuava quase corpo a corpo, grito a grito.

Uma luta na rua que, nas palavras da deputada da oposição Maria Corina Macho, «é irreversível» e que já valeu mais de mil detenções e vários feridos.