O marido e os pais de uma mulher em morte cerebral, nos Estados Unidos, pedem ao hospital que desliguem as máquinas, apesar de ela estar grávida. Os médicos recusam, dizem que estão a cumprir a lei. Marlise Muñoz está ligada a um ventilador há um mês e meio, grávida agora de 20 semanas.

Mãe de um rapaz, paramédica casada com outro paramédico, Marlise Muñoz, de 33 anos, esperava o segundo filho quando se deu a desgraça: desmaiou em casa por causa de uma embolia pulmonar. Ao chegar ao hospital já não havia nada a fazer: os médicos disseram que ela estava em morte cerebral e que nunca recuperaria. No entanto, e apesar do desejo da família, o corpo de Marlise está agora ligado a um ventilador num hospital do Texas.

O hospital recusa desligar o ventilador porque Marlise Muñoz se encontra grávida e o Texas é um dos cerca de 30 estados onde é proibido desligar a máquina a uma mulher grávida, independentemente das indicações da paciente ou da família.

Marlise já tinha deixado instruções claras à família, a pedir que nunca fosse mantida viva com a ajuda de aparelhos. Quando a família já se preparava para o momento de se despedir, o hospital informou que não desligaria os aparelhos, pois os médicos descobriram a gravidez, durante a 14ª semana de gestação. A lei do Texas impede o desligar dos aparelhos no caso de uma paciente que esteja grávida.

Tom Mayo é um dos conselheiros que ajudou a redigir a lei há 15 anos, assinada pelo então governador do Texas George W. Bush. O professor de Direito na Universidade Metodista do Sul defende que, se Marlise sofre morte cerebral, o hospital está a interpretar mal a legislação.

«Se ela está em morte cerebral, já está morta, por isso a questão não é deixá-la morrer. Mas ele (o marido) pode pedir: «desliguem o ventilador?». Penso que sim. Os médicos tomam essas decisões todos os dias», afirma Tom Mayo.

Marlise Muñoz estava grávida de 14 semanas quando desmaiou. O feto tem agora 20 semanas. A família diz que o coração do bebé bate, mas não se sabe se pode sobreviver ou até se não terá sofrido a mesma falta de oxigénio da mãe.

O caso, no Texas, está a gerar um debate sobre os limites da vida e da morte e faz manchetes nos Estados Unidos.