Atualizado às 18:23

Cidade a cidade, os jihadistas continuam a conquistar terreno no Iraque e a apertar o cerco à capital. A norte de Bagdad, Jalawla e Saadiyah, na província de Diyala, caíram durante a noite a favor do autoproclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante, a nova Al-Qaeda.

À semelhança do que aconteceu no Norte, em Mossul e Tikrit, o assalto dos combatentes jihadistas não encontrou resistência nem oposição. Incapazes e receosas de se defenderem, as forças de segurança iraquianas simplesmente abandonaram posições, deixando para trás uniformes e armamento.

O avanço dos jihadistas no terreno levou o Governo iraquiano a lançar um pedido de ajuda desesperado para a proteção de Bagdad e a manutenção da autoridade do Estado e a coesão territorial do país, que ameaça desintegrar-se numa nova guerra sectária.

O pedido do Governo iraquiano surge dois dias depois da queda de Mossul, a cidade mais importante no norte do Iraque. Desde então os habitantes fugiram em massa.

Além do êxodo de meio milhão de pessoas, a ONU está extremamente preocupada com as execuções sumárias. A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os direitos humanos denuncia assassinatos extrajudiciais. São excessos cometidos pelos insurgentes, com o objetivo de instaurar um califado islâmico no Médio Oriente: os jihadistas sunitas perseguem ferozmente os xiitas, classificados como infiéis.

Obama não envia tropas

Entretanto, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse hoje, em Washington, que não vai enviar forças terrestres para o Iraque, embora esteja a estudar outras opções para combater a ofensiva sunita.

«Não vamos enviar tropas americanas de volta para o combate no Iraque, mas pedi à minha equipa de segurança nacional para preparar uma série de outras opções que possam ajudar as forças de segurança do Iraque», acrescentou.

Numa declaração sobre a situação no Iraque, Obama advertiu, contudo, que cabe ao Iraque sanar as suas divisões.

Kerry apela a políticos iraquianos para «permanecerem unidos»

Horas antes, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, apelou aos dirigentes políticos iraquianos para «permanecerem unidos» em resposta ao avanço dos combatentes jihadistas que ameaçam Bagdad depois de terem tomado várias províncias.

«Este deve constituir um verdadeiro aviso para todos os dirigentes políticos iraquianos. Está na hora de os dirigentes iraquianos se unirem e se mostrarem unidos», declarou John Kerry, numa conferência de imprensa em Londres.

Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Turquia aconselhou os cidadãos turcos a abandonarem as regiões do Iraque diretamente ameaçadas pelos combates que opõem os jihadistas ao exército iraquiano, incluindo a capital do país.