As Forças Armadas da Ucrânia estão em «alerta total» para uma possível invasão das tropas da Rússia estacionadas junto à fronteira, disse esta quarta-feira o presidente interino, Oleksandr Turchinov, num encontro com governadores regionais, em Kiev.

«As nossas Forças Armadas estão em alerta de combate total», afirmou. «A ameaça de a Rússia iniciar uma guerra contra a Ucrânia continental é real», acrescentou.

De acordo com a agência Reuters, a afirmação do presidente interino foi feita numa altura em que a polícia e o exército da Ucrânia parecem fazer poucos progressos na operação lançada no leste do país para conter as forças pró-russas que têm tomado de assalto edifícios administrativos em várias cidades.

«Quero dizer com franqueza que neste momento as estruturas de segurança não são capazes de rapidamente retomarem o controlo das regiões de Donetsk e Lugansk», disse ainda o presidente.

A Rússia estacionou, em março, cerca de 40 mil tropas junto à fronteira com a Ucrânia. Moscovo indicou inicialmente que essas forças tinham sido mobilizadas para exercício militares, mas na semana passada afirmou que elas estão prontas para responder à ofensiva ucraniana contra as forças pró-russas.

O presidente russo, Vladimir Putin, tem afirmado que tem «o direito» de enviar forças para a Ucrânia, mas que não o fez até ao momento, o que é contrariado pelo Governo de Kiev e pelos Estados Unidos, que asseguram que a insurgência no leste do país é liderada por forças russas.

Oleksandr Turchinov afirmou na reunião desta quarta-feira que «a tarefa prioritária é impedir o terrorismo de se espalhar das regiões de Donetsk e Lugansk para outras regiões ucranianas».

Pró-russos ocupam novos edifícios

As declarações de Oleksandr Turchinov foram proferidas horas depois de ativistas pró-Rússia ocuparem novos edifícios administrativos no leste da Ucrânia. Homens mascarados envergando uniformes militares ocuparam, esta quarta-feira, em Horlivka, na região de Donetsk, o edifício da administração regional e as instalações da polícia, que tinham já bloqueado no início de Abril, disse uma fonte policial à Reuters.

Jornalistas estrangeiros foram ameaçados de prisão caso não obedecessem às novas ordens.

Atualmente, refere a Associated Press, os manifestantes controlam edifícios em, pelo menos, 12 cidades no leste da Ucrânia. Os pró-russos reclamam referendos sobre o futuro das suas regiões e um sistema de governo federal na Ucrânia. As milícias ainda mantêm em cárcere privado alguns ativistas e jornalistas. Em Slaviansk mantêm sequestrados, desde sexta-feira, sete observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).