Houve um «terramoto» em França na noite em que os 28 países da União Europeia foram a votos. A vitória da Frente Nacional, numa altura em que não há ainda resultados definitivos mas as indicações são já claras, é a expressão maior da tendência que sai destas eleições europeias. A ascensão da extrema-direita, em particular, e de um modo geral do euroceticismo. Com alguns sinais, pelo meio, de novas tendências, como em Espanha. Muitos destes resultados antecipam, para já, consequências políticas nacionais.

Dez pontos para resumir a noite de Europeias a 28

Abstenção Talvez a notícia menos má da noite para os amigos da UE. A taxa de participação global (com Portugal em claro contra-ciclo), foi de 43,09 por cento, praticamente em linha com 2009; é a primeira vez desde 1979 que a abstenção não aumenta.

Parlamento Europeu continua a ter maioria de centro-direita O PPE, que reune os partidos de centro-direita, foi o vencedor das eleições, seguido dos socialistas. Mas ambos perderam votos em relação a 2009.

Eurocéticos quase duplicam As estimativas apontam para que sejam cerca de 130 em 751 lugares os que serão ocupados por deputados de partidos eurocéticos.

Frente Nacional, o terramoto Foi a notícia-choque da noite, rebentou mal fecharam as urnas e a noite confirmou-a. A Frente Nacional, populista e de extrema-direita, ganhou em França. Marine Le Pen apressou-se a pedir a dissolução do Governo, o primeiro-ministro Manuel Valls chamou-lhe um «sismo» e François Hollande convocou uma reunião de altas patentes para esta segunda-feira.

Ukip e a «mentira» europeia Choque também em Inglaterra, onde a contagem está mais atrasada, portanto a abordagem ainda é prudente. Mas tudo indica que vai ganhar o anti-Europeu e anti-imigração Ukip, para já com 29 por cento, com Conservadores e Trabalhistas empatados a 24 por cento dos votos. O líder do populista Ukip, Nigel Farage, já veio cantar vitória e dizer que isto prova como «todo o projeto europeu tem sido uma mentira».

Na Grécia, Syriza Voto de protesto também na Grécia, epicentro da crise e dos efeitos da austeridade e das políticas da troika, mas a virar à esquerda. O Syriza de Alexis Tsipras foi o partido mais votado, à frente da Nova Democracia de Samaras. O voto radicalizou-se mesmo na Grécia, onde também a extrema-direita da Aurora Dourada foi o terceiro partido mais votado.

Sim, Podemos Em Espanha, um sinal de mudança. Dos protestos de ruas e dos indignados contra a austeridade e o sistema nasceu o movimento Podemos. Criado há poucos meses, elegeu cinco eurodeputados, numa eleição que viu PP e PSOE em queda e os movimentos de cidadãos e alternativos em ascensão.

Em Itália, ganhou o Governo O Partido Democrático de centro-esquerda do primeiro-ministro Matteo Renzi, há apenas três meses do cargo, conseguiu mais de 40 por cento dos votos, bem acima das expectativas. Teve como principal oposição o movimento de Beppe Grilo.

Alemanha, Mekel e eurocéticos No país que elege mais eurodeputados a vitória foi da CDU da chanceler, mas também há sinais de dúvidas. Os eurocéticos do AfD chegaram aos sete por cento e a extrema-direita do NPD elegeu um deputado pela primeira vez na história.

Dinamarca radical, Suécia feminista A tendência populista varreu toda a Europa e chegou aos países nórdicos. Na Dinamarca a vitória foi do Partido Popular, com 27 por cento dos votos. Os sinais de descontentamento e de procura de alternativas dos cidadãos abriram espaço a vários outros caminhos. A Suécia, por exemplo, elegeu aquele que será o primeiro membro de um partido feminista no PE.