O Presidente dos Estados Unidos afirmou hoje que 2014 «pode ser um ano decisivo» para o país, já que «pela primeira vez em mais de uma década» é o lugar «número um do mundo» para investir.

«Como Presidente, o meu compromisso é fazer com que Washington funcione melhor», disse Barack Obama no início do seu discurso sobre o Estado da União perante ambas as câmaras do Congresso.

Referindo a «mais baixa taxa de desemprego em cinco anos» e um «mercado imobiliário em recuperação», o presidente declarou que «os Estados Unidos estão em melhor posição para enfrentar o século XXI do que qualquer outro país do mundo».

Obama propôs, assim, aumentar o salário mínimo de 7,25 dólares (5,30 euros) para 10,10 dólares (7,39 euros) por hora, apesar da oposição dos republicanos no Congresso.

«Deem um aumento à América», exortou no seu discurso, pedindo apoio para um projeto de lei para aumentar em quase 40% o salário mínimo nas empresas com contratos com o Estado.

A polémica em redor da NSA também não foi esquecida. O Presidente dos EUA reafirmou a sua promessa de reformar os programas de espionagem eletrónica da Agência de Segurança Nacional, sem mencionar Edward Snowden, o ex-analista que revelou estas práticas e que está asilado em Moscovo.

«Vou trabalhar com o Congresso para reformar os programas de vigilância porque o trabalho vital realizado pelos nossos serviços secretos depende da confiança pública, aqui e no estrangeiro, em que a privacidade dos cidadãos comuns não seja violada», prometeu.

Guantánamo também foi mencionada, com Obama a reiterar a intenção de encerrar a prisão da base naval em Cuba, pedindo ao Congresso para facilitar a transferência dos detidos que continuam na prisão aberta em 2002.

«Com a guerra do Afeganistão a chegar ao fim, este tem de ser o ano em que o Congresso levante as restrições restantes para as transferências de prisioneiros e para que encerremos a prisão da Baía de Guantánamo», defendeu.

Sobre a guerra do Afeganistão, Obama disse que em conjunto com os seus aliados, os EUA concluem a sua missão até o final do ano. «Depois de 2014, apoiaremos um Afeganistão unido que toma conta do seu próprio futuro», afirmou.

O Presidente norte-americano deixou igualmente uma palavra de apoio aos manifestantes na Ucrânia, afirmando que o povo deve ter uma palavra a dizer na direção futura do seu país.

«Na Ucrânia, apoiamos o princípio de que todas as pessoas têm o direito de se expressar livremente e pacificamente, e terem uma palavra a dizer no futuro do seu país», referiu.

Obama ameaça Congresso a favor do Irão

Obama garantiu ainda que os EUA vão continuar a trabalhar para que a Síria tenha «um futuro livre de ditadura, terror e medo» e para o fim do conflito no Médio Oriente, deixando claro que apoiam a «oposição que combate as redes terroristas».

«Continuaremos a trabalhar com a comunidade internacional para (...) o futuro que merece o povo sírio: um futuro livre de ditaduras, terror e medo», sublinhou.

Por outro lado, o Presidente norte-americano advertiu que iria vetar eventuais sanções contra o Irão que sejam aprovadas pelo Congresso durante as negociações sobre o programa nuclear de Teerão.

«Que fique claro: se o Congresso me enviar um novo projeto de lei de sanções que ameace fazer descarrilar as negociações, eu irei vetar esse projeto. A bem da nossa segurança nacional, nós devemos dar à diplomacia uma oportunidade de ser bem-sucedida», argumentou Barack Obama.

O discurso anual sobre o Estado da União é um ritual da democracia norte-americana e representa um dos pontos altos do ano político nos Estados Unidos.

O discurso é proferido diante de políticos, dos juízes do Supremo Tribunal e dos embaixadores destacados em Washington, além de outros dignitários, no Capitólio, edifício onde funciona o Congresso norte-americano.