Há mais de três décadas que os chefes da diplomacia dos Estados Unidos e do Irão não tinham um encontro marcado por um ambiente positivo, e há pelo menos seis anos que não tinham um encontro, de todo.

Mas esta noite em Nova Iorque, à margem da assembleia-geral das Nações Unidas, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países falaram e agendaram novas conversações sobre o dossier nuclear iraniano para 15 de outubro em Genebra é o efeito da postura conciliadora do novo presidente do iraniano.

Há dois meses, um cenário praticamente impossível: John Kerry, secretário de Estado americano dirige-se para uma reunião com o seu homólogo iraniano.

Mohammad Javad Zarif é um diplomata que estudou nos Estados Unidos. Foi escolhido pelo novo presidente, Hassan Rouhani e começam a ver-se progressos no braço-de-ferro entre Teerão e o ocidente sobre o programa nuclear iraniano, que já dura há uma década.

Além dos Estados Unidos, a reunião contou com os chefes da diplomacia dos outros quatro membros permanentes do conselho de segurança da ONU: Rússia, China, Grã-Bretanha e França e também com o da Alemanha.

Mas, lá dentro, John Kerry e Javad Zarif tiveram uma conversa à parte dos outros, conversa que o iraniano classificou como muito construtiva. Exceptuando um breve encontro em 2007, os chefes da diplomacia dos dois países não se encontravam desde o tempo em que o Irão tinha um xá como líder e não um ayatollah.

Ficou acordado o prosseguimento das conversações sobre o programa nuclear iraniano para 15 e 16 do próximo mês em Genebra.

O degelo entre os dois lados é possível por causa do novo presidente. Hassan Rouhani diz que é preciso diálogo e que quer ver todo o braço-de-ferro terminado em três a seis meses. Em Nova Iorque, voltou a discursar, desta vez representando o movimento dos não-alinhados, para defender um mundo sem bombas atómicas.

Teerão jura que o seu programa nuclear não é para fabricar a bomba atómica e diz querer afastar todas as preocupações razoáveis sobre isso. Mas o ponto fundamental da viragem iraniana são as sanções internacionais que estão a dar cabo da sua economia. A seguir ao seu encontro com o homólogo dos Estados Unidos, o chefe da diplomacia apontou como fundamental o rápido levantamento das sanções contra o seu país.