Pelo menos três pessoas morreram esta sexta-feira, depois de a polícia do Camboja ter aberto fogo contra trabalhadores da indústria têxtil em greve, na capital Phnom Penh, no segundo dia consecutivo de violência.

«Há três mortos confirmados, dois feridos e duas pessoas foram detidas pelas forças de segurança», revelou o chefe da polícia municipal da capital Phnom Penh, Chuon Narin, em declarações ao diário Cambodia Daily.

Os incidentes tiveram lugar no complexo industrial da avenida de Veng Sreng, no distrito de Pur Senchey, perto do local onde na quinta-feira uma unidade das forças especiais do Exército dispersou, de forma violenta, um protesto de trabalhadores, tendo sido detidas, pelo menos 15 pessoas, entre líderes sindicais, operários e monges budistas, o que desencadeou diversas críticas.

Hoje, os manifestantes, munidos de paus e barras de ferro, entrincheiraram-se atrás de barricadas num dos subúrbios industriais da capital e lançaram pedras e cocktails molotov contra a polícia militar que respondeu com rajadas de AK-47.

A violência na capital cambojana estalou após ter terminado, sem acordo, uma reunião entre o Governo e representantes sindicais sobre um aumento do salário mínimo, motivo pelo qual os trabalhadores têxteis fazem greve desde a semana passada.