Em Istambul e Ancara, pela terceira noite consecutiva, protestos contra o Governo terminaram em confrontos violentos entre os manifestantes e a polícia. As ruas das duas principais cidades da Turquia transformaram-se em verdadeiros campos de batalha.

Atacada com pedras e fogo-de-artifício, a polícia ripostou com canhões de água e balas de borracha para dispersar a multidão.

Vários manifestantes, que exigem a demissão do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, na sequência do escândalo de corrupção que envolve filhos de membros do executivo, foram detidos.

Nos últimos dias demitiram-se os ministros da Economia, do Interior e do Ambiente. Os filhos destes três ministros foram detidos a 17 de dezembro numa vasta operação da polícia contra a corrupção, bem como outras pessoas consideradas próximas do Governo turco.

Vinte e quatro pessoas, incluindo empresários e o diretor geral do banco estatal Halkbank foram acusados e colocados em prisão preventiva no fim de semana por alegado envolvimento neste escândalo financeiro de grande escala.

A operação da polícia, realizada a 17 de dezembro, abalou a imagem de Erdogan, cujo partido está no poder desde 2002, por ser visto como o herói da luta contra a corrupção.

Erdogan denunciou uma «conspiração» de uma poderosa irmandade religiosa que já foi sua aliada para desestabilizar a abordagem do Governo para as eleições municipais e presidenciais, em março e junho, respetivamente.