O primeiro-ministro britânico, David Cameron, prometeu este domingo «caçar os responsáveis pela morte» de David Haines, que foi raptado na Síria e decapitado por militantes do Estado Islâmico.

No final de uma reunião extraordinária do gabinete de crise interministerial Cobra, o primeiro-ministro referiu-se a Haines, um funcionário da organização humanitária francesa Acted, de 44 anos, como «um herói britânico» e descreveu os militantes da organização jihadista como «monstros, e não muçulmanos».

David Cameron prometeu ainda «adotar todos os passos necessários», a nível interno e também no estrangeiro, para derrotar os jihadistas e «extinguir a ameaça terrorista». Mas o chefe do Governo britânico escusou-se a precisar se a Força Aérea britânica iria juntar-se à campanha de bombardeamentos de alvos do Estado Islâmico atualmente em curso, conduzida pelos Estados Unidos. Em anteriores declarações, tinha-se comprometido a convocar o Parlamento para aprovar a participação do país numa intervenção militar.

Um vídeo que mostra um militante do Estado Islâmico, com o rosto tapado, a decapitar o refém britânico David Haines perece ser genuíno, disse este domingo um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico em Londres.

«Todos os sinais são no sentido de o vídeo ser genuíno, não temos razão para não acreditar nisso», disse o porta-voz à AFP.

É a terceira execução deste tipo num mês, depois do assassinato de dois jornalistas norte-americanos, que também foram raptados e mantidos reféns na Síria.

Alemanha diz que execução «ato odioso de violência bárbara»

O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier, condenou este domingo a execução do refém britânico, classificando-a como um «ato odioso de violência barbara».

«Com a publicação na Internet de imagens deste assassinato, mais um tabu é quebrado de forma inaceitável», escreve o chefe da diplomacia alemã, em comunicado, citado pela AFP.

«Lá, onde reina o estado islâmico, assassina-se, viola-se, incendeia-se. A comunidade internacional deve resolutamente combater esta que é também uma ameaça para o Iraque, para as regiões periféricas e para todos nós», acrescentou.

Austrália compromete-se com envio de 600 militares

O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, anunciou este domingo o envio, nos próximos dias, de um contingente de 600 militares e de aviões para o Médio Oriente no âmbito da luta contra os extremistas do Estado Islâmico.

«O Governo decidiu preparar e destacar uma força militar nos Emirados Árabes Unidos», disse Tony Abbott aos jornalistas em Darwin, no norte da Austrália, citado pela cadeia televisiva ABC.

Um primeiro contingente, composto por 200 militares, incluindo tropas de elite, que «podem atuar como assessores militares das Forças Armadas iraquianas ou dos "peshmerga" (combatentes curdos)» vai viajar para Abu Dabi.