Os familiares dos passageiros que seguiam a bordo do avião da Malásia que desapareceu dos radares a 8 de março desanimam, a cada dia que passa, sem mais informações concretas sobre o paradeiro do Boeing 777. Desesperados, os familiares dos passageiros invadiram a conferência de imprensa desta quarta-feira de manhã, em Kuala Lumpur.

De acordo com a BBC, enquanto os jornalistas esperavam pelas declarações dos responsáveis malaios, várias pessoas que se identificaram como familiares de passageiros chineses entraram na sala do hotel, desenrolando uma faixa com a inscrição «Devolvam-nos as nossas famílias». «Eles dão-nos informações diferentes a cada dia que passa. Onde está o voo agora? Já não consigo aguentar mais isto», gritava uma mulher que, tal como os outros familiares, foi arrastada para fora da sala por seguranças.

Dois terços dos 227 passageiros do voo MH370, que desapareceu dos radares quando fazia a ligação entre Kuala Lumpur e Pequim, são chineses e muitos dos familiares acusam a Malásia de, por secretismo ou inépcia, estar a atrasar a divulgação de informações que poderiam ser essenciais para localizar o aparelho. Terça-feira, algumas das famílias que aguardam por novidades num hotel de Pequim admitiram iniciar uma greve de fome em protesto.

Dados do simulador pessoal do piloto foram apagados

«Alguns dados» foram apagados do simulador de voo que o piloto do avião desaparecido da Malaysia Airlines tinha em casa. A informação foi adiantada pelo ministro malaio dos Transportes, Hishammuddin Hussein, na conferência de imprensa diária em Kuala Lumpur, onde falou mais alto o desespero das famílias dos passageiros, que há 12 dias esperam por notícias.

A revelação de que alguns ficheiros do simulador de voo que Zaharie Ahmad Shah tinha montado em casa foram apagados a 3 de Fevereiro foi o único dado novo que o ministro avançou. Hishammuddin Hussein revelou que os peritos estão a tentar recuperar os dados, a fim de perceber se contêm alguma informação revelante para as investigações, mas insistiu que não há, para já, qualquer prova que incrimine o piloto ou o copiloto no desvio do Boeing 777.

É habitual os pilotos terem em casa simuladores de voo, que na maioria dos casos são pouco mais do que uma consola de jogos. Investigadores norte-americanos disseram à CNN que os computadores apreendidos nas casas dos dois tripulantes «não revelam nada suspeito».

Ainda assim, as suspeitas concentram-se nos dois pilotos. Isto porque há indícios de que o desvio do avião implicou manobras complexas: os dois principais sistemas de comunicação foram desligados e a mudança de rota não foi efetuada manualmente, mas através do computador de bordo.