O atirador de Paris escreveu duas cartas que já estão na posse da polícia. Uma foi encontrada ao seu lado no carro, dentro do parque de estacionamento, onde foi detido quarta-feira pela polícia, em Bois-Colombes, nos arredores de Paris, por volta das 19:05. A segunda missiva foi entregue pelo homem que deu o alerta às autoridades e que disse dividir o apartamento com o suspeito, escreve o jornal francês «Le Figaro».

Numa das cartas, Abdelhakim Dekhar, fala da sua própria morte, na outra faz referência a conflitos internacionais.

A primeira missiva, que fala da sua morte, foi encontrada ao lado Abdelhakim Dekhar dentro do veículo e parece dar força à teoria que este se tentou com uma elevada dose de comprimidos.

A segunda carta, entregue pelo companheiro de casa é considerada «delirante», escreve o «Le Figaro», que cita fonte ligada ao processo. De forma incoerente evoca «afirmações de ordem política» e faz referência a «países estrangeiros e conflitos internacionais». Diz-se vítima de um «complô fascista» e revela «ódio» pelos jornalistas, banqueiros, capitalismo e pelas prisões onde esteve preso.

Recorde-se que o suspeito já tinha estado preso pelo seu envolvimento num caso num mediático homicídio em 1994, ao estilo do famoso casal de assaltantes norte-americano «Bonnie and Clyde»: a estudante Florence Rey e o namorado Audry Maupin protagonizaram um episódio de tiroteio e perseguição policial em Paris, tendo provocado a morte de três polícias e um taxista, num caso que apaixonou a França. Ficou provado que Toumi, nome com que ficou conhecido à época, tinha comprado a arma que o casal utilizou.

Abdelhakim Dekhar terá nascido em 1965 na cidade francesa de Algrange e sempre viveu em território francês. Segundo Emmanuelle Hauser-Phélizon, a advogada que o acompanhou no caso da década de 90 e que não tinha qualquer informação sobre ele desde 1998.

A advogada assume que nunca soube muito bem quem ele era,- tinha um lado misterioso - e que este lhe garantiu ser agente dos serviços secretos franceses ou argelinos, o que nunca se comprovou. Era inteligente, calmo, meticuloso, solitário, mas expressava-se bem, garante a sua defensora.