Alice Munro nasceu a 10 de julho de 1931, em Wingham, no Canadá. Os primeiros tempos de vida foram passados numa quinta. A mãe era professora, o pai criou raposas e foi agricultor. Tinha uma irmã e um irmão. Casou em 1951 com um colega da Universidade de Western Ontário. Aliás, devido ao casamento, não terminou o curso que frequentava de jornalismo e inglês.

Depois de casar mudou-se para Vancouver e teve três filhas. Uns anos depois a família seguiu para Victoria onde abriu uma livraria.

Com o divórcio em 1972, Alice Munro tregressou à «terra natal» e passou a trabalhar na Universidade onde tinha estudado. Voltou a casar em 1976 e, só a partir daí, investiu na sua carreira como escritora. Muitos críticos descrevem-na como o «Chekhov canadiano».

Os antepassados de Alice Laidlaw (nome de batismo) fugiram da Escócia devido a Napoleão. Na obra que publicou em 2006, «The View from Castle Rock», Alice relata a sua história de família e as dificuldades que os seus pais tiveram.

Aos 12 anos decidiu que queria ser escritora, porque «a sua esquisitice brilhava fora de si».

A sua primeira obra «The Dimensions of a Shadow» viu a luz do dia em 1950, mas só em 1968 a Ryerson Press publicou a sua primeira coleção de contos, intitulada «Dance of the Happy Shades».

Este ano, em junho, Alice Munro já tinha ganho o Trillium Book Award, o prémio literário por excelência de Ontário, no Canadá, com «Dear Life: Stories», a sua última obra, publicada em 2012.

Nessa altura, numa entrevista, terá confessado que «provavelmente, não ia voltar a escrever». Atualmente, reside em Clinton, perto da sua residência de família.

Hoje, 10 de outubro, foi galardoada com o Prémio Nobel da Literatura.

«Estou surpreendida e muito agradecida»

«Estou surpreendida e muito agradecida. Estou particularmente feliz porque este prémio vai agradar a muitos canadenses. Fico também feliz, porque vai atrair mais atenção para os escritores do Canadá». Estas foram as palavras que Alice Munro escreveu numa nota à comunicação social, comentando a sua escolha como Prémio Nobel da Literatura 2013.

No entanto, pouco tempo depois, acabou por falar aos jornalistas. «Sabia que era uma das candidatas, mas nunca pensei que fosse ganhar», afirmou acrescentando que é «maravilhoso» receber o mais prestigiado prémio literário.

A escritora disse à televisão canadiana CBC que a filha a tinha acordado para lhe dar a notícia sobre a decisão do Comité Nobel.

Afirmou ainda que sempre encarou a hipótese de receber o Nobel como «um daqueles sonhos irreais» que «era possível mas provavelmente não se realizaria».

Alice Munro indicou que no Canadá ainda se estava «a meio da noite» quando recebeu a notícia e já se tinha esquecido de que estava na corrida para o Nobel.