O estilo informal do Papa Francisco tem feito as delícias dos fiéis, mas a comunicação social italiana está agora focada na nova responsável pelas relações públicas do Vaticano. Francesca Immacolata Chaouqui é jovem, bonita, e está no centro de uma polémica por causa daquilo que escreveu na Internet sobre o Vaticano e os políticos antes de ser nomeada para o cargo.

A nova relações públicas foi escolhida, em julho, para integrar uma comissão de oito sábios que tem por função limpar a estrutura económica e administrativa do Vaticano. Francesca Immacolata Chaouqui é laica, tem 27 anos, é italiana, filha de pai franco-marroquino e ligada à Opus Dei, como conta o El País.

Quando foi nomeada, Francesca Chaouqui expressou a alegria no Twitter: «O meu coração, a minha fé, o meu empenho, o meu profissionalismo estão ao serviço da Igreja e do Santo Padre, sempre».

Mas a relações públicas, licenciada em Direito, que trabalhava na Ernst & Young, tem pelo menos um ano e meio de intervenções polémicas no Twitter sobre a política do Vaticano e que os jornalistas italianos trataram agora de publicar. A conta de Francesca Chaouqui no Twitter foi entretanto encerrada, mas o jornal «Il Corriere della Sera» guardou alguns comentários.

A 1 de Março de 2012, Chaouqui não hesitava em chamar «corrupto» ao cardeal Tarcisio Bertone, o secretário de Estado do Vaticano, braço-direito de Joseph Ratzinger. «Creio na Igreja: una, santa, católica e apostólica. Talvez alguém devesse recordá-lo a Bertone», escreveu.

Quando o Papa Bento XVI abdicou, a 11 de Março de 2013, comentou: «Ganhou Bertone. Estava certa de que não o faria, mas deitou a toalha ao chão. Como crente estou simplesmente dececionada». Sobre Bento XVI, pouco tempo antes, dissera que «o Papa sofre de leucemia há mais de um ano».

Os políticos foram outro dos alvos desta italiana, filha de um turco. A 29 de Fevereiro de 2012, Chaouqui twittou que Giullio Tremonti, ex-ministro da Economia de Silvio Berlusconi, «é gay». Um tweet que, de acordo com o «Il Corriere della Sera», lhe pode vir a custar um processo judicial, embora Francesca diga que não foi a autora daquelas palavras e que outras pessoas tinham acesso à conta de Twitter.

Outro comentário polémico de Francesca Chaouqui face à atual posição que ocupa no Vaticano é o que fez sobre Gianluigi Nuzzi, o jornalista que publicou em livro os documentos roubados a Bento XVI pelo mordomo Paolo Gabriele. «Ainda bem que existes. Bravo, isto é o que se chama fazer boa informação. Orgulhosa de ti», escreveu quando o jornalista lançou o livro «Sua Santidade».

Além das declarações amplamente noticiadas, Francesca Chaouqui também colocou online fotografias dela e do marido em tronco nu.

Apesar do embaraço que se vive no Vaticano, Francesca Immacolata Chaouqui diz-se tranquila. «Não estou preocupada porque o Santo Padre também não está», afirmou ao «Il Corriere della Sera», ao qual também alegou que outras pessoas terão tido acesso à conta que tinha no Twitter.